A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a movimentar os bastidores da política nacional ao dizer que não descarta disputar a Presidência da República em 2026. Em entrevista publicada pela revista Veja neste domingo (7), Michelle declarou que aceitaria assumir a missão se fosse um pedido de seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e principalmente se fosse “da vontade de Deus”.
Ela explicou que sua vida sempre foi guiada pela fé e que, se esse for realmente o propósito divino, nada poderá impedir. “Se for da vontade d’Ele, todas as coisas contribuirão para essa eventual missão, inclusive um pedido do Jair. Se não for, não acontecerá. Tudo está no controle de Deus e eu creio que tudo concorre para o bem daqueles que O amam”, afirmou.
A fala reforça o papel que Michelle vem conquistando desde 2019, quando Bolsonaro assumiu o Planalto. Naquele momento, seus planos eram bem diferentes: ela pretendia concluir a faculdade de Letras com habilitação em Libras para atuar como professora de linguagem de sinais. O projeto acadêmico, porém, ficou em segundo plano. A crescente visibilidade e o apoio de parte do eleitorado conservador a transformaram em uma espécie de símbolo dentro da ala feminina da direita. Foi assim que surgiu o PL Mulher, movimento criado para incentivar a participação política de mulheres alinhadas ao bolsonarismo.
Com o ex-presidente inelegível até 2030, por decisão do TSE, e ainda enfrentando processos no STF por suposta tentativa de golpe de Estado, Michelle passou a ser vista como um dos nomes mais fortes para ocupar o espaço deixado por Bolsonaro. Nos bastidores, aliados já comentam que ela pode ser a alternativa mais viável, já que reúne tanto a identificação com a base evangélica quanto uma imagem de “renovação” dentro do grupo.
Questionada sobre as pesquisas eleitorais mais recentes, Michelle preferiu não se empolgar publicamente, mas deixou claro que enxerga nelas um reflexo direto da força de seu marido. Segundo ela, os números comprovam que Bolsonaro segue sendo o “líder imbatível” da direita e que, justamente por isso, seria alvo de perseguição política. “O sistema persegue ele com tanto ódio porque sabem da liderança que ele ainda exerce”, comentou.
Apesar disso, ela diz que, neste momento, a prioridade é enfrentar as dificuldades que a família vive. O ex-presidente vem sendo citado em diversos inquéritos, e a situação jurídica ainda gera incertezas. Michelle afirma que, quando chegar a hora certa, as pesquisas e cenários eleitorais serão analisados com mais atenção pela família, mas que agora a preocupação é superar a fase conturbada.
Um ponto que Michelle faz questão de destacar é sua espiritualidade. Evangélica, ela afirma que é justamente sua ligação com Deus que lhe dá força para enfrentar os ataques e pressões políticas. “Creio que a mulher espiritualizada, que tem uma conexão profunda com Deus, consegue enfrentar melhor todas as situações. Ser seguidora de Jesus não me atrapalha, ao contrário, me ajuda a vencer todos os desafios e dificuldades”, disse.
O nome dela, portanto, passa a ganhar cada vez mais peso nas conversas sobre 2026. Num cenário em que a política brasileira segue polarizada, sua eventual candidatura poderia colocar novamente a família Bolsonaro no centro do debate nacional. Se vai acontecer ou não, ainda é cedo para cravar. Mas, a julgar pelas falas recentes, Michelle não pretende se manter apenas como figura secundária.
E enquanto a disputa segue no campo das possibilidades, o tabuleiro político vai se ajustando. O PT aposta em nomes já conhecidos, como o do próprio presidente Lula ou até de Fernando Haddad, enquanto no campo da direita cresce a dúvida: será Michelle Bolsonaro a herdeira natural do bolsonarismo?
Uma coisa é certa: em tempos de instabilidade, qualquer palavra vinda da ex-primeira-dama repercute. Seja pela fé, pelo carisma ou pela força política herdada, Michelle segue ocupando espaço e, gostem ou não, já é peça fundamental no jogo que se desenha para as eleições de 2026.