Angela Ro Ro, uma das vozes mais marcantes da música brasileira, nos deixou nesta segunda-feira, 8 de setembro, aos 75 anos, no Rio de Janeiro. A cantora e compositora, conhecida por sua autenticidade e timbre inconfundível, não resistiu a uma parada cardíaca. Segundo apuração feita pelo portal Metrópoles, a artista estava internada e acabou sofrendo complicações após uma nova infecção bacteriana.
A notícia abalou profundamente familiares, amigos e fãs, que se manifestaram nas redes sociais logo após a confirmação. Em nota enviada à imprensa, um advogado que se apresenta como representante de Angela explicou que a companheira da cantora nos últimos quatro anos está “absolutamente consternada” com a perda. Ele frisou ainda que, apesar de algumas informações circularem em portais e programas de TV, Angela não contava com auxílio da produtora Lana Braga em seus últimos dias. Segundo ele, a relação entre as duas se resumia a “meras ligações ocasionais”.
“Quem realmente esteve ao lado de Angela foi sua parceira atual, que prefere não se identificar nesse momento. A perda foi muito dura, ainda mais pelo fato dela ter contraído uma nova bactéria dentro da UTI, já que o isolamento não era total dos outros pacientes”, completou o representante.
A morte de Angela Ro Ro traz à tona não apenas a lembrança de sua obra, mas também a dura realidade enfrentada por muitos artistas veteranos no Brasil. Em tempos de redes sociais e consumo rápido de música, nomes históricos, que pavimentaram caminho para novas gerações, muitas vezes ficam à margem, vivendo de apresentações esporádicas e apoio de fãs fiéis. Angela, aliás, sempre foi sincera em suas entrevistas, nunca escondeu dificuldades financeiras e nem as turbulências de sua vida pessoal, o que a tornava ainda mais próxima do público.
Vale lembrar que Ro Ro foi uma das primeiras mulheres a assumir sua homossexualidade de forma aberta, lá nos anos 1980, em plena ditadura e num período em que a palavra “preconceito” era ainda mais pesada. Canções como “Amor, meu grande amor” e “Compasso” atravessaram décadas e seguem tocando em rádios e playlists atuais. Basta dar uma olhada nos comentários de plataformas como YouTube e Spotify para ver gerações diferentes redescobrindo sua música.
Sobre a polêmica envolvendo Lana Braga, a reportagem do Metrópoles chegou a procurar a empresária para esclarecer a situação, mas até o momento não obteve retorno. Esse tipo de ruído não chega a diminuir o legado da cantora, mas mostra como a vida de artistas, mesmo após a morte, continua cercada de disputas e versões diferentes.
O Brasil perde uma voz única. Angela não era só música, era também atitude, ironia fina e aquele jeito meio debochado de encarar as coisas. Quem a acompanhou em shows recentes, mesmo quando a saúde já não era das melhores, sabe que ela nunca deixou de cantar com a alma. A comoção já se espalha também entre colegas de profissão: alguns músicos postaram homenagens, lembrando momentos nos bastidores e o convívio com a artista.
É inevitável pensar como a cultura nacional trata suas lendas. Num país que ainda chora a perda de Rita Lee, em 2023, e agora de Angela, fica o sentimento de que estamos vendo se encerrar uma geração inteira de cantoras que ousaram ser diferentes, autênticas e sem medo de desafiar padrões.
Angela Ro Ro se vai, mas sua voz continua ecoando. E, como disse um fã em comentário emocionado no X (antigo Twitter): “A morte leva o corpo, mas a música eterniza a alma”.