O autointitulado bispo do Ministério Poder e Milagres, o pastor evangélico Eduardo Costa, voltou ao centro das atenções depois de um episódio que rapidamente se espalhou pelas redes sociais. Ele foi flagrado, dias atrás, em uma situação inusitada: usando peruca loira e calcinha, em pleno estacionamento próximo a um bar em Goiânia. Além de religioso, Costa também é servidor do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e já atuou como cerimonialista bastante conhecido na capital. Mas sua fama não é de hoje. Lá em 2006, ele já tinha se envolvido em polêmica ao ser acusado de aplicar um golpe contra formandos de Direito da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), que acabaram frustrados com a tão sonhada festa de formatura.
Naquele ano, o caso ganhou páginas de jornais. Havia denúncias, reclamações e até promessa dele de que tudo seria resolvido. Só que, no fim, a história não terminou nada bem para os estudantes.
O vídeo polêmico
As tais imagens do pastor vestido com roupas femininas começaram a circular na segunda-feira, 11 de agosto, causando uma enxurrada de comentários por todo o país. O vídeo teria sido enviado ao perfil “Goiânia Mil Graus” por uma seguidora, que além de revelar a identidade do homem, também fez duras críticas à postura dele como religioso.
Rapidamente, internautas trouxeram à tona supostos episódios parecidos, relatos de dívidas trabalhistas e até menções de que não seria a primeira vez que ele aparecia nesse tipo de situação. A repercussão foi tão grande que o próprio Eduardo Costa resolveu se manifestar. Ao lado da esposa, ele gravou um vídeo confirmando que realmente era o homem das imagens. Porém, segundo sua versão, tudo fazia parte de uma “investigação particular”. Ele alegou ter usado o disfarce para apurar denúncias não reveladas. Além disso, disse não ter autorizado a gravação e acusou o responsável pelas imagens de tentar extorqui-lo. Para completar, anunciou que vai acionar a Justiça.
Formatura dos sonhos que virou pesadelo
Voltando ao passado, a relação de Costa com os formandos da Universo foi marcada por tensão. A festa, orçada em cerca de R$ 460 mil, acabou sendo alvo de muita dor de cabeça. Estudantes afirmam que o cerimonialista usava cheques pessoais, sem fundo, para pagar fornecedores, o que causou uma sequência de problemas.
Um dos ex-alunos, que preferiu não se identificar, contou ao portal Metrópoles que eles pagaram mensalidades de R$ 300 por quase dois anos. Mas, perto da formatura, tiveram que desembolsar valores extras por conta dos descumprimentos. Ele relatou frustração: “A gente pagou por uma formatura de luxo. Queríamos cascata de camarão, mas serviram macarrão. Pagamos por uma passarela giratória na colação, mas não tinha. Minha família nem me viu direito no palco. A festa aconteceu, mas não foi nada do que prometeram”.
Além da quebra de contrato, formandos reclamavam que Costa se mostrava inflexível, evitava diálogo com a comissão e não prestava contas sobre o dinheiro arrecadado.
O julgamento
O caso foi parar na Justiça. Eduardo Costa chegou a ser condenado em primeira instância a três anos e quatro meses de reclusão, em regime aberto, além de multa. A pena acabou sendo convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de R$ 5 mil à APAE de Goiânia. Mas a história não terminou aí.
Em 2014, a 2ª Câmara Criminal do TJGO reverteu a decisão. Por unanimidade, os desembargadores entenderam que, embora o serviço tenha deixado a desejar e causado enorme insatisfação, não havia elementos suficientes para enquadrá-lo no crime de apropriação indébita. O relator Edison Miguel da Silva Júnior destacou que não ficou provado que Costa tivesse agido de má-fé ou com intenção deliberada de enganar os formandos. Segundo ele, se houvesse dolo, poderia até configurar estelionato, mas não o crime do qual ele tinha sido acusado.
Entre polêmicas e justificativas
Hoje, quase duas décadas depois do escândalo da formatura, Eduardo Costa volta a ser manchete, mas por um motivo ainda mais controverso. E, assim como em 2006, a situação divide opiniões: para alguns, ele é vítima de armação; para outros, mais um capítulo de uma trajetória cercada de confusões. O fato é que o nome dele, seja nas páginas policiais ou nas redes sociais, dificilmente passa despercebido.