Nos últimos dias, um assunto voltou a ganhar força nas redes e na imprensa: a regulamentação das plataformas digitais. Quem puxou novamente essa discussão foi a primeira-dama Janja da Silva, que nesta terça-feira (12/8) fez uma postagem no Instagram defendendo que as redes sociais sejam melhor controladas para proteger crianças e adolescentes. Ela lembrou que esses ambientes virtuais, do jeito que estão hoje, estão longe de serem seguros para os mais jovens, e isso ficou ainda mais evidente após uma denúncia feita pelo influenciador Felca.
Segundo Janja, esse não é um tema para ser usado como munição em brigas políticas. Na visão dela, é algo muito mais urgente e humano: garantir que toda criança possa viver com segurança, tanto no mundo físico quanto no digital. Ela ressaltou que já falou sobre isso várias vezes e que a situação é grave, com crianças sendo expostas diariamente a riscos sérios e variados tipos de violência online.
Em seu texto, a primeira-dama apontou que o debate ganhou novo fôlego nos últimos dias, revelando a dimensão real do problema. Para ela, é mais do que hora de agir e criar regras que tornem o ambiente digital um espaço mais protegido. “Precisamos regulamentar as redes sociais para transformar a internet num lugar seguro para nossas crianças e adolescentes”, escreveu.
O estopim dessa nova onda de discussões foi um vídeo que Felca publicou no YouTube na semana passada. No material, ele denuncia situações de sexualização e “adultização” de crianças em diferentes plataformas, além de expor a ausência de mecanismos eficazes de moderação por parte das gigantes da tecnologia — as chamadas big techs. Essa crítica bate diretamente na ferida que muita gente já apontava, mas que agora ganhou repercussão nacional.
E o movimento não parou por aí. Integrantes do governo também se pronunciaram, reforçando que pretendem levar o assunto adiante. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve enviar ao Congresso Nacional, “nos próximos dias”, um projeto de lei com propostas concretas para essa regulamentação. É um passo que, se for colocado em prática, deve reacender debates intensos entre parlamentares, empresas e sociedade civil.
Na mesma postagem, Janja não deixou de chamar atenção para o papel das famílias. Para ela, a supervisão sobre o que as crianças assistem, leem ou consomem online é essencial. Mas ela também admite que essa vigilância familiar não é suficiente diante de um sistema que ainda falha em proteger o público mais vulnerável. “Toda criança tem o direito de crescer protegida, dentro e fora do ambiente virtual”, reforçou.
A primeira-dama ainda destacou que, quando a pauta ganha destaque e mobiliza diferentes vozes, há mais chances de se construir uma solução real. Ela acredita que essa é uma causa coletiva, que deve envolver toda a sociedade brasileira, e não ser sequestrada por disputas ideológicas ou interesses partidários. “A amplificação do tema aproxima vozes que podem somar forças nessa luta. É uma causa de todos nós”, completou.
Essa discussão, claro, não é nova. Já tivemos momentos em que o Congresso debateu propostas semelhantes, mas a pressão das empresas e a polarização política sempre atrasaram qualquer avanço. A diferença agora é que o problema parece mais visível, talvez porque as pessoas estejam vendo casos reais e recentes acontecendo diante de seus olhos — e, convenhamos, é difícil ignorar quando o perigo bate tão perto.
Enquanto o projeto de lei não chega, o debate segue fervendo. E, no meio disso tudo, fica a pergunta: vamos esperar mais tragédias para agir, ou finalmente vamos encarar a responsabilidade de proteger quem ainda nem sabe se defender?