Donald Trump critica governo Lula, e manda recado enigmático para os brasileiros

Em mais um capítulo tenso da relação Brasil-Estados Unidos, o ex-presidente norte-americano Donald Trump voltou a causar polêmica ao comentar a nova tarifa de 50% imposta sobre produtos brasileiros. Questionado por jornalistas nesta sexta-feira (1º), ele preferiu não detalhar os motivos da medida, mas aproveitou pra alfinetar o governo brasileiro: “As pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, disse, sem papas na língua. Mesmo com o tom crítico, Trump afirmou que tem carinho pelos brasileiros: “Eu amo o povo do Brasil”.

A fala de Trump ocorre em meio a uma crescente tensão diplomática. O governo Lula (PT) já vinha demonstrando incômodo com a postura da Casa Branca e, agora, tenta a todo custo abrir um canal direto com Washington. O próprio Trump, ainda uma figura de enorme influência no cenário político norte-americano, disse estar disposto a conversar com Lula: “Ele pode falar comigo quando quiser”.

O clima, no entanto, não é dos mais amigáveis.

Tarifaço em marcha

A ordem executiva assinada por Trump, que ainda ecoa na atual gestão dos EUA, prevê uma sobretaxa de 50% sobre uma lista de produtos exportados do Brasil para lá. O aumento foi dividido em duas etapas: 10% anunciados em abril, e outros 40% agora em julho. A medida pegou muita gente de surpresa no setor agroexportador brasileiro, especialmente porque o Brasil tem papel estratégico em áreas como energia, alimentos e mineração.

Nem tudo, porém, foi atingido. Cerca de 700 produtos ficaram de fora da nova taxa de 40%. Ou seja, alguns itens como suco de laranja, castanhas, petróleo, minérios de ferro e até aeronaves foram poupados — ao menos por enquanto — e vão pagar só a tarifa de 10%.

A previsão é que o tarifaço entre em vigor logo no início de agosto, o que fez muitos exportadores correrem contra o tempo pra tentar embarcar mercadorias antes da virada da regra. Enquanto isso, a diplomacia brasileira tenta lidar com o que já está sendo chamado nos bastidores de “ataque econômico disfarçado”.

Lula lamenta isolamento

Em entrevista publicada no jornal The New York Times na última quarta (30/7), Lula demonstrou frustração com a dificuldade de estabelecer diálogo com os Estados Unidos. Segundo ele, houve tentativa de contato em várias frentes, mas nenhuma resposta concreta até o momento. “Eu designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura, meu ministro da Economia, para que todos conversem com seus equivalentes nos EUA… Até agora, não foi possível”, disse o presidente, num tom que misturava desabafo com apelo.

Fontes do Planalto afirmam que o governo brasileiro vê a medida como um gesto hostil e desnecessário. Desde então, a ordem é trabalhar nos bastidores, usando diplomatas e ministros para tentar reverter, ou ao menos amenizar, os efeitos da medida. A fala pública de Trump acabou acendendo ainda mais o sinal de alerta no Itamaraty.

Cenário delicado

Com eleições nos EUA se aproximando e Trump novamente no centro do noticiário político americano, há quem diga que essa retórica contra o Brasil tem mais a ver com política interna do que com economia. Ainda assim, os impactos são reais, principalmente para setores exportadores que já estavam enfrentando instabilidades causadas pela desaceleração da economia chinesa e os efeitos climáticos que vêm afetando a produção agrícola no Sul do Brasil.

No final das contas, fica claro que a relação Brasil-EUA passa por uma fase complicada. E ao que tudo indica, o caminho pra reaproximação ainda vai ser longo. Enquanto isso, produtores, empresários e políticos brasileiros tentam entender o que vem pela frente — e como se proteger das próximas jogadas desse tabuleiro geopolítico imprevisível.



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