A tarde do último sábado (26) foi marcada por uma cena de horror que ninguém espera viver, muito menos protagonizar. Uma mulher de 35 anos foi brutalmente espancada por seu então companheiro, Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos, dentro de um elevador em um condomínio na Zona Sul de Natal. As imagens chocantes das câmeras de segurança rodaram o país e trouxeram à tona não só a violência do ato, mas também a dor silenciosa de muitas mulheres que vivem relacionamentos abusivos sem perceber a gravidade até que seja tarde demais.
De acordo com a própria vítima, tudo começou com uma discussão aparentemente banal na área da piscina do prédio. Igor teria se irritado ao ver uma mensagem no celular dela e, sem qualquer chance para diálogo, acusou-a de traição. A situação escalou rápido. Numa atitude impulsiva e violenta, ele jogou o celular da mulher na piscina e saiu furioso. Ambos seguiram para o andar do apartamento dela, mas cada um pegou um elevador diferente. No entanto, o reencontro foi inevitável e trágico.
Ela explicou que, ao vê-lo novamente no corredor, preferiu não sair do elevador. O motivo? Medo. “Fiquei no elevador porque lá tinha câmera, no corredor não. Eu achei que fosse mais seguro”, contou. Mas a tentativa de se proteger acabou despertando ainda mais raiva em Igor. Ele exigiu que ela saísse e abrisse o apartamento para ele pegar os pertences, mas ela se negou. A resposta foi imediata e cruel: “Ele disse que eu ia morrer. E começou a me bater sem parar”, relatou.
As imagens gravadas pelo elevador confirmam o relato: os socos, os chutes e a brutalidade com que ele a atacou foram chocantes. A mulher teve o rosto desfigurado, com fraturas múltiplas no maxilar e em outras partes da face. A advogada dela informou que será necessário fazer uma cirurgia de reconstrução facial, além do acompanhamento psicológico por tempo indeterminado. A vítima, ainda muito abalada, disse que nunca imaginou passar por algo assim: “A gente estava junto há quase dois anos. Ele sempre teve um temperamento difícil, mas eu juro que nunca pensei que fosse capaz disso.”
O agressor foi preso em flagrante logo após o ataque, ainda no condomínio. Durante a audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. Ele vai responder por tentativa de feminicídio, crime que vem ganhando mais atenção — felizmente —, mas que ainda é uma realidade cruel para muitas brasileiras. O Ministério Público acompanha o caso, e a expectativa é de que ele permaneça preso até o julgamento.
Casos como esse são mais comuns do que gostaríamos de admitir. Só em 2024, o número de denúncias de violência doméstica no Brasil cresceu mais de 18%, segundo dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Isso revela uma mistura de fatores: mais coragem das mulheres para denunciar, mas também uma persistente cultura de violência contra a mulher que ainda está longe de ser erradicada.
A história dessa mulher é um grito. Um alerta. Um lembrete de que o silêncio muitas vezes é cúmplice da tragédia. E que qualquer sinal de abuso, por menor que pareça, merece atenção e ação imediata. Ela sobreviveu. Mas o trauma fica. E, com ele, a esperança de que outras mulheres, ao verem o que aconteceu, não esperem o pior para buscar ajuda.
Se você ou alguém que conhece está passando por isso, o número 180 funciona 24 horas e oferece apoio e orientação. Não se cale.