Nos últimos dias, tem rodado pelas redes sociais uma informação um tanto quanto duvidosa envolvendo a cantora Preta Gil e o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as postagens que vêm se espalhando, Preta teria zombado do uso da bolsa de colostomia por Bolsonaro — algo que ele precisou utilizar após sofrer o atentado em 2018. Mas será que isso é verdade mesmo?
Bom, segundo uma checagem feita pelo Estadão Verifica, essa história não passa de mais um boato sem pé nem cabeça. O time de verificação do jornal vasculhou a internet de cabo a rabo: procuraram no Google, fuçaram perfis no Instagram, e até deram uma olhada no X (aquele antigo Twitter que mudou de nome). Resultado? Nada. Nenhuma fala, nenhum comentário, nenhuma postagem que comprove que Preta tenha feito qualquer tipo de piada com a condição de saúde do ex-presidente.
A verdade é que, apesar de Preta Gil ter, sim, feito críticas políticas a Bolsonaro ao longo dos anos — como muitos artistas fizeram —, ela nunca se manifestou publicamente sobre a colostomia dele. Isso nunca aconteceu. É uma daquelas fake news que surgem sabe-se lá de onde e vão sendo espalhadas como se fossem verdades absolutas.
E aí entra um ponto importante: a origem do boato. Essa história começou a circular mais fortemente depois da morte de Preta Gil, em julho de 2025. Ela vinha lutando contra um câncer colorretal e, em certo momento do tratamento, também precisou usar uma bolsa de colostomia. Então, talvez por conta dessa semelhança entre os dois casos — o dela e o de Bolsonaro —, algumas pessoas mal-intencionadas começaram a misturar as coisas.
Mas é preciso lembrar que a relação entre os dois não é de hoje. Lá em 2011, Preta chegou a processar Bolsonaro por causa de uma fala polêmica dele no extinto programa CQC, da Band. Na ocasião, ele foi perguntado sobre o que faria se o filho namorasse uma mulher negra. A resposta dele foi, no mínimo, polêmica: “não vou discutir promiscuidade”. Preta, que sempre se posicionou contra esse tipo de comentário, se sentiu ofendida — com toda razão — e resolveu levar o caso à Justiça.
No entanto, o inquérito foi arquivado alguns anos depois, em 2015, por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. O procurador-geral da República na época, Rodrigo Janot, explicou que a Band não tinha entregue a entrevista completa. E, segundo a defesa de Bolsonaro, ele teria entendido a pergunta como sendo sobre orientação sexual — não racial. Complicado, né?
Mesmo assim, Janot disse que não havia provas suficientes pra afirmar que a resposta tinha cunho racista. Resultado: o caso foi encerrado.
Voltando ao presente — ou quase —, a associação do nome de Preta a comentários maldosos sobre Bolsonaro simplesmente não se sustenta. Além de ser uma desinformação desrespeitosa, ainda tenta manchar a imagem de uma artista que passou por um processo duro de luta contra o câncer e acabou perdendo a batalha.
É aquele velho ditado: morreu, virou alvo de mentira. E, infelizmente, parece que nem no pós-vida a pessoa consegue descansar em paz, né?
Fica aqui o alerta: antes de compartilhar qualquer coisa na internet, dá uma olhada, confere se é verdade. Porque tem gente que espalha fake news como quem passa café — todo dia, no automático.