A morte precoce de Millena Brandão, atriz mirim de apenas 11 anos, continua cercada de dor, dúvidas e um sentimento profundo de injustiça por parte da família e da opinião pública. A menina, que encantava com seu talento e carisma, faleceu no dia 2 de maio deste ano após um quadro de saúde que se agravou de forma rápida e, segundo os parentes, foi tratado com certa negligência por parte do sistema público de saúde de São Paulo.
De acordo com o laudo da Polícia Técnico-Científica, a causa oficial da morte foi um abscesso cerebral — ou seja, um acúmulo de pus dentro do tecido do cérebro, geralmente causado por infecções bacterianas ou fúngicas. O resultado foi divulgado recentemente e confirmado pelo advogado da família, Antônio Carlos Geraldes Neto, em entrevista ao portal Metrópoles.
A história de Millena é daquelas que machucam só de ler. No dia 23 de abril, ela começou a sentir fortes dores de cabeça, febre e um mal-estar que tirava o brilho do olhar da menina. Levado ao Pronto-Socorro Pedreira, o caso foi inicialmente tratado como dengue. Recebeu medicação, foi liberada e voltou pra casa. Mas os sintomas não melhoraram. Pelo contrário, só pioraram.
Nos dias seguintes, a jovem passou por duas outras unidades de saúde: a UPA Dona Maria Antonieta e depois o Pronto-Socorro Geral do Grajaú, na zona sul da capital paulista. Lá, já debilitada e com o quadro agravado, Millena passou por uma tomografia que revelou uma mancha no cérebro. Mas já era tarde demais. Ela não resistiu a doze paradas cardiorrespiratórias. Doze. Um número que ainda ecoa nos ouvidos da mãe e de todos que acompanharam o sofrimento da menina nos últimos dias de vida.
A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. O caso está nas mãos do 101º Distrito Policial (Jardim Imbuias) e, conforme comunicado oficial da Secretaria da Segurança Pública (SSP), foi registrado como “morte suspeita”. Os investigadores já ouviram familiares da vítima e aguardam novos laudos complementares para tentar entender o que houve de fato.
Ainda não se sabe exatamente de onde partiu a infecção que causou o abscesso. Esse tipo de quadro pode ter origem em diversas partes do corpo — desde infecções no ouvido, nariz, garganta ou até mesmo por meio da corrente sanguínea. Uma das hipóteses levantadas informalmente por médicos próximos ao caso é de que o diagnóstico inicial equivocado possa ter atrasado o tratamento correto, o que foi decisivo para o desfecho trágico.
Millena não era apenas uma criança. Era uma promessa no mundo artístico, cheia de sonhos e planos. Participava de peças, fazia vídeos para a internet e já começava a trilhar o caminho no meio televisivo. Sua história agora vira símbolo de alerta e revolta sobre como o atendimento médico público muitas vezes falha com os mais vulneráveis.
A família segue lutando por justiça. Não apenas para entender o que aconteceu, mas também para que outras crianças não tenham que passar pelo mesmo. A dor não tem remédio, mas a verdade pode, ao menos, ajudar a fechar feridas abertas. Millena se foi, mas deixou um rastro de amor, talento e uma pergunta que ainda paira no ar: será que ela poderia estar viva se tivesse sido ouvida com mais atenção?