Família de Preta Gil tomou drásticas atitude por conta da compulsão da artista: ‘Período triste’

Durante muitos anos, Preta Gil carregou um peso silencioso — o de não viver daquilo que realmente amava: a música. Só depois de quase três décadas, e com muita dor no caminho, ela teve coragem de assumir esse desejo antigo. Mesmo sendo bem-sucedida como publicitária e empresária, algo sempre pareceu fora do lugar. E foi justamente essa frustração, abafada por tanto tempo, que acabou se transformando numa compulsão por compras, uma espécie de válvula de escape pra um vazio que ela não conseguia preencher de outro jeito.

Lá atrás, nos anos 90, Preta chegou a ter a chance de começar sua carreira artística na minissérie “Sex Appeal”, da Globo, mas acabou optando por seguir na publicidade. “Hoje vejo que foi uma decisão muito equivocada”, confessou em uma entrevista ao jornal O Globo em 2014. Ela escolheu o caminho mais seguro, como muita gente faz, mas acabou se sentindo presa numa vida que não era exatamente a que sonhou.

Mesmo no auge da carreira como produtora, ela se sentia infeliz. E aí, pra tentar aliviar essa angústia, começou a gastar sem freio. Bolsas, sapatos, roupas de grife — nada parecia suficiente. Chegou a estourar o cartão de crédito em 30 mil dólares e até perdeu um apartamento por causa das dívidas. “Eu não queria saber quanto tinha no banco, saía comprando. Era um desespero. Colocava pra dentro comida, bolsa, sapato…”, desabafou certa vez.

A situação chegou num ponto crítico, e foi preciso uma intervenção da família, junto com o terapeuta. Os cartões foram bloqueados, os cheques suspensos, e ela passou a viver de mesada. Um choque de realidade. Mas também o início de uma jornada de autoconhecimento.

Numa entrevista marcante pra revista Trip, em 2003, Preta apareceu nua e falou abertamente sobre sexo, fama e essa relação complicada com o dinheiro. “Ganhei muito dinheiro como publicitária, como produtora. Fui bem-sucedida, sim. Mas não era aquilo que eu queria. Eu tava me enganando”, contou. “Tinha esse buraco dentro de mim, e preenchia de duas formas: comendo e gastando.”

Ela dizia que virou praticamente uma adoradora de marcas. A Regina Casé até brincava, chamando ela de “Pretinha de Beverly Hills”. Preta chegou a dizer, rindo, que torrava todo o dinheiro na loja Daslu, que na época era o templo das grifes em São Paulo. Um luxo que, por trás, escondia um sofrimento real.

Mas nem tudo se resumia ao consumo desenfreado. Preta também ajudava muita gente ao seu redor. “Era uma menina com 24, 25 anos, bem-sucedida, ia pra Nova York quando queria. Ajudava meus amigos que tavam ferrados, minha empregada, a babá, meu motorista…”, relembrou.

Essa generosidade, embora admirável, também acabou virando parte do desequilíbrio emocional que ela vivia. Era como se ela tentasse comprar alívio, não só pra si, mas pra todo mundo à volta.

Com o tempo, ela foi encontrando o próprio eixo — voltando pra música, assumindo sua identidade com mais verdade. Infelizmente, sua trajetória foi interrompida no último domingo, dia 20, após uma luta corajosa contra o câncer. Mas fica a lição: viver uma vida que não é sua pode custar muito mais caro do que qualquer sapato da moda.



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