Desejo de Preta Gil para seu velório não será atendido; entenda

Preta Gil, sempre intensa e cheia de vida, deixou este mundo no último domingo, dia 20 de julho, aos 50 anos, depois de lutar bravamente contra um câncer que acabou vencendo a batalha. Ela estava nos Estados Unidos, buscando uma última esperança com um tratamento alternativo, mas infelizmente, seu corpo não resistiu.

Nesta sexta-feira (25), o Rio de Janeiro vai parar por algumas horas para prestar a última homenagem à artista. O velório será realizado no Theatro Municipal do Rio, um dos lugares mais emblemáticos da cidade e que, aliás, era um dos últimos desejos da própria Preta. Isso ela conseguiu. O palco clássico, que tantas vezes foi cenário de grandes espetáculos, agora recebe o silêncio respeitoso e emocionado de quem vem se despedir de alguém que viveu como um verdadeiro show.

Mas apesar do local especial, uma parte importante do que ela sonhou para seu adeus não vai acontecer. Quem acompanhava a cantora mais de perto — ou mesmo quem viu alguma de suas entrevistas — sabia que ela queria um funeral bem diferente. Em tom bem-humorado, chegou a dizer que sua despedida deveria ser uma verdadeira micareta. “O meu funeral, já falei. Quero que seja uma micareta real. Se Ivete for depois de mim, bota ela, mesmo velha, gagá, em cima do trio”, brincou Preta, numa entrevista descontraída ao canal “Põe na Roda”, no YouTube. Esse trecho inclusive voltou a circular nas redes nos últimos dias, emocionando e arrancando sorrisos ao mesmo tempo.

Só que, segundo a família, a despedida será mais tradicional. Em contato com a revista Quem, eles explicaram que não haverá trio elétrico, nem apresentações musicais ou cortejo. A cerimônia vai ser mesmo mais reservada, com início marcado para às 9h e encerramento por volta das 13h. Ainda assim, o público vai poder se despedir da cantora. Familiares, amigos próximos e fãs terão acesso ao velório, o que deve transformar o Theatro Municipal num espaço de muita emoção e reverência.

É compreensível que a família tenha optado por uma cerimônia mais contida. Afinal, o momento ainda é de dor, de luto recente, e talvez uma grande festa não se encaixasse no que os mais íntimos estão sentindo agora. Mesmo assim, quem conheceu ou admirava Preta sabe que, no fundo, ela teria adorado ver o povo reunido, cantando, dançando, sorrindo e chorando ao mesmo tempo.

Ao longo da sua carreira, Preta foi muito mais que filha de Gilberto Gil. Ela construiu um caminho próprio, com autenticidade, ousadia e uma força impressionante. Falava o que pensava, defendia causas, abraçava quem precisava e vivia de peito aberto. Uma mulher que amava o carnaval, os palcos, a música, e que também sabia rir de si mesma — característica rara, especialmente no mundo do estrelato.

A ausência do trio elétrico talvez fique como um detalhe pequeno perto da grandeza do que Preta deixou. Sua voz, sua risada, sua energia contagiante — tudo isso segue vivo em quem a ouviu, assistiu, amou e se emocionou com ela.

E quem sabe, mais pra frente, seus fãs façam acontecer a tal micareta que ela tanto queria. Afinal, se tem uma coisa que Preta Gil nos ensinou, é que a vida deve ser celebrada — até o fim.



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