Nessa terça-feira, dia 22 de julho, o pagode perdeu mais uma das suas vozes (ou melhor, batidas) marcantes. Faleceu aos 52 anos o músico Douglas Souza Arruda, conhecido artisticamente como Dodô, baterista da banda Karametade. A notícia foi dada pelo vocalista Vavá, que dividiu com Dodô não só o palco, mas muitos anos de estrada, histórias e amizade.
Dodô vinha enfrentando uma dura batalha contra um melanoma — um tipo de câncer de pele considerado agressivo e que infelizmente acabou levando o músico. Coincidência ou não, o Brasil ainda nem se recuperou da notícia da morte da cantora Preta Gil, que também nos deixou neste domingo (20), vítima de câncer. Duas perdas dolorosas em tão pouco tempo.
Através de uma publicação cheia de emoção e saudade, Vavá prestou homenagem ao parceiro de vida e som. “É com muita tristeza que anuncio a partida do nosso amigo Dodô, baterista e integrante do grupo Karametade. A luta foi grande contra um Melanoma (câncer). Saiba que sua história nunca será apagada, meu irmão. Um cara alegre, de sorriso fácil, simpático e uma pessoa incrível, que agora mora lá no céu”, escreveu o cantor em suas redes sociais, emocionando fãs e amigos.

Pra quem viveu os anos 90, é impossível não lembrar do impacto que o Karametade teve na cena do pagode romântico. Com músicas que embalaram muitos amores, términos e encontros de adolescência, o grupo dividia espaço nas paradas de sucesso com nomes como Só Pra Contrariar, Raça Negra, Molejo e Art Popular. A batida de Dodô era parte essencial do som da banda — aquele tipo de marca registrada que mesmo quem não é fã, reconhece de longe.
O velório de Dodô está acontecendo ainda nesta terça-feira, numa igreja localizada na cidade de Santos, no litoral paulista. O sepultamento está previsto pra acontecer logo cedinho, por volta das 7h da manhã desta quarta-feira (23), também em Santos. A despedida vem sendo marcada por muita emoção, com presença de amigos próximos, familiares e alguns fãs que quiseram prestar essa última homenagem.
Difícil não se emocionar com o momento. Dodô era descrito por todos como um cara do bem, sempre sorrindo, brincando, mesmo nos momentos mais difíceis. Era daqueles que faziam questão de tratar todo mundo bem — do técnico de som até o fã que pedia uma foto no meio da rua. Esse jeito simples, humano e carismático fez dele mais do que um músico talentoso: fez dele uma pessoa que deixou marca por onde passou.
Nos tempos em que se fala tanto de fama passageira, cancelamento e redes sociais tóxicas, lembrar de alguém como Dodô — que trilhou seu caminho com humildade e talento — é um respiro. Ele não era daqueles que vivia buscando os holofotes. Preferia o som da bateria, o compasso certo, a harmonia entre os colegas de banda.
Ficam as lembranças, os discos, os vídeos nos arquivos da internet, os shows memoráveis. Fica, acima de tudo, a saudade. A música perde mais um dos seus bons. E a gente, mais uma vez, se vê lembrando que a vida é mesmo um sopro.
Vai com Deus, Dodô. E obrigado por ter feito parte da trilha sonora da vida de tanta gente.
