Após anúncio de tarifas dos EUA contra o Brasil, Lula ironiza Trump e Bolsonaro

Na última sexta-feira (11), o presidente Lula não perdeu a oportunidade de alfinetar Jair Bolsonaro e Donald Trump. Durante um evento no Espírito Santo, ele soltou farpas afiadas sobre a recente movimentação de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que estaria nos Estados Unidos tentando convencer Trump a pressionar o Brasil com tarifas comerciais.

Segundo Lula, Eduardo foi praticamente enviado numa missão desesperada pra tentar salvar o pai das investigações e possíveis punições relacionadas ao plano de golpe de Estado. “Aquela coisa covarde que tentou dar um golpe nesse país… não teve coragem de fazer, agora vai ser julgado, e mandou o filho pedir ajuda pro Trump”, disse Lula com sarcasmo, imitando o tom de voz de Trump como se estivesse encenando um teatro.

Na quarta (10), Trump publicou em sua rede social uma carta — pasmem — dirigida a Lula, dizendo que, a partir de 1º de agosto, vai meter uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. E justificou com aquele jeitão dele: acusou o governo brasileiro de estar promovendo uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Ainda reclamou de decisões da Justiça brasileira que estariam prejudicando empresas americanas de tecnologia. Um verdadeiro show de interferência.

Bolsonaro, por sua vez, fez coro. Na quinta-feira, ele foi pras redes sociais bajular Trump, dizendo que tinha “respeito e admiração” pelo ex-presidente dos EUA, e que essa taxação toda era culpa do Brasil estar se afastando dos “valores do mundo livre”. Fala bonita, né? Mas a prática…

Lula, com aquele jeitão espontâneo que mistura fala popular com farpa política, não perdoou. “Porque a coisa (Bolsonaro) mandou o filho, que era deputado, se afastar da Câmara pra ir lá pedir: ‘Oh Trump, pelo amor de Deus, solta meu pai, não deixa ele ser preso!'”, ironizou o presidente, arrancando risadas e aplausos da plateia.

Mais à frente no discurso, Lula avisou que o Brasil não vai ficar de braços cruzados caso os EUA realmente avancem com essa taxação. Ele garantiu que vai tentar resolver na conversa — citou a OMC, os Brics, e a diplomacia como caminhos possíveis. Mas deixou claro que, se não der certo no papo, vem troco.

“Se tem uma coisa que minha mãe me ensinou é que a gente não pode baixar a cabeça. Tenham certeza: o Brasil não vai se curvar pra ninguém”, afirmou, usando um boné azul com a frase “O Brasil é dos Brasileiros”. Uma resposta direta àquele famoso boné vermelho “Make America Great Again” que virou marca registrada do trumpismo.

Lula ainda mandou um recado direto: “Essa gente precisa criar vergonha na cara. Ninguém vai brincar com o Brasil”.

Enquanto o cenário internacional se agita com disputas comerciais e interferências políticas, o clima aqui segue quente, com Bolsonaro cada vez mais pressionado pela Justiça e Lula usando seu espaço pra responder com ironia, mas também com firmeza. O jogo tá longe de acabar — e, pelo visto, os bastidores vão continuar rendendo cenas dignas de novela política.



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