Saiba o que pode acontecer com adolescente que fez atentado em escola no RS

Na manhã da última terça-feira, 8 de julho, um crime brutal chocou a cidade de Estação, no norte do Rio Grande do Sul. Um adolescente, de idade não divulgada oficialmente, invadiu a Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi, no centro da cidade, e atacou com faca três pessoas: duas crianças e uma professora. Entre as vítimas, estava Vitor André Kungel Gambirazi, de apenas 9 anos, que infelizmente não resistiu aos ferimentos e morreu.

O ataque aconteceu por volta das 10h. Segundo informações da Polícia Civil, o jovem entrou pela porta principal da escola alegando que queria entregar um currículo — o que, a princípio, não levantou suspeitas. O detalhe é que ele já havia sido aluno da instituição. Logo depois de entrar, ele lançou bombinhas no pátio, provocando confusão e correria. Foi nesse momento que começou o ataque com a faca.

Uma menina de 8 anos e uma professora de 34 também foram feridas, mas foram levadas rapidamente ao hospital e, felizmente, estão fora de perigo. A ação foi rápida e deixou todos em estado de choque. Várias crianças correram pelas ruas pedindo ajuda, e uma moradora da vizinhança chegou a abrir o portão da sua casa pra abrigar os pequenos. A cena foi registrada em vídeo e circulou amplamente nas redes sociais, gerando comoção e revolta.

A polícia agiu rápido e apreendeu o agressor, que é morador da própria cidade de Estação. Ele foi levado à Delegacia de Polícia de Getúlio Vargas, onde permanece sob custódia da Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar. De acordo com os investigadores, o adolescente não tem antecedentes criminais. As motivações do ataque ainda são investigadas.

Por ser menor de idade, o jovem não pode ser julgado pelo Código Penal, mas sim pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O advogado penalista Ilmar Muniz explicou que, nesses casos, o autor pode receber medidas socioeducativas, sendo a mais severa delas a internação em unidade especializada, por no máximo três anos, independentemente da gravidade do crime. Após esse período, ele pode passar a ser acompanhado em liberdade por medidas em meio aberto.

A informação de que o adolescente já vinha recebendo tratamento psicológico antes do ocorrido também foi confirmada pelo prefeito da cidade, Geverson Zimmermann. Isso reacendeu um debate importante sobre saúde mental e violência entre jovens. A advogada criminalista Estrela Isis de Almeida Marinho comentou que o fato de ele estar em tratamento psicológico não o isenta de responsabilidade pelo ato cometido.

“Se o adolescente possui transtornos ou já estava em acompanhamento, isso não elimina o crime que cometeu. O que muda é a forma como o Estado lida com o caso. A lei exige que a medida socioeducativa seja compatível com as condições pessoais do jovem. A internação, nesse caso, serve tanto para responsabilizá-lo quanto pra garantir que ele receba tratamento adequado”, explicou a especialista.

O clima na cidade ainda é de luto e perplexidade. A escola suspendeu as aulas por tempo indeterminado, e equipes de apoio psicológico estão sendo disponibilizadas para alunos, funcionários e familiares das vítimas. O enterro de Vitor foi acompanhado por uma multidão emocionada, que se despediu do garoto com balões brancos e homenagens.

Enquanto a investigação segue, a comunidade tenta entender como algo tão trágico pôde acontecer em um lugar que deveria ser seguro para todos.



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