Como tarifaço de Trump afeta turismo nos EUA? Especialistas explicam

O Impacto das Tarifas de Importação no Turismo Americano: Perspectivas e Desafios

O mercado de turismo nos Estados Unidos é um dos pilares da economia americana, destacando-se como o maior setor de exportação de serviços do país. Em 2023, esse segmento contribuiu com impressionantes US$ 2,36 trilhões para o Produto Interno Bruto (PIB), superando os números registrados antes da pandemia, que eram de cerca de US$ 2,27 trilhões em 2019, de acordo com a plataforma Statista. Esses dados não apenas sublinham a importância do turismo, mas também refletem o potencial de crescimento que o setor pode ter.

O Efeito das Visitas Internacionais

Para se ter uma ideia da relevância do turismo, é interessante notar que, segundo informações do ITA (Administração de Comércio Internacional), um novo emprego é criado a cada 40 visitantes internacionais que chegam ao país. Esse fato demonstra como o turismo é vital não apenas para a economia, mas também para a geração de empregos, que podem impactar diversas famílias americanas.

Desafios à Vista

No entanto, esse panorama positivo pode estar prestes a mudar. O ex-presidente Donald Trump anunciou tarifas de importação que visam afetar diretamente países como China, México e Canadá, que são os principais parceiros comerciais dos EUA. A empresa J.P. Morgan e Goldman Sachs já preveem um enfraquecimento nas viagens internacionais, assim como uma queda nos lucros das companhias aéreas e de turismo. Estima-se que a redução nos gastos com viagens ao exterior possa representar uma perda de 0,1% do PIB americano até 2025, mas o impacto pode variar entre 0,2% e 0,3%.

Contradições nas Projeções

Curiosamente, apesar das previsões sombrias, o Escritório Nacional de Viagens e Turismo dos EUA (NTTO) divulgou um estudo que aponta um aumento nas visitas internacionais ao país, projetando a chegada de 77,1 milhões de turistas estrangeiros em 2025, representando um crescimento de 6,5% em comparação com 2024. Contudo, dados mais recentes mostram que, em março, o número de visitantes internacionais caiu 11,6% em relação ao ano anterior, o que levanta questões sobre a precisão das previsões do NTTO.

Perspectivas de Especialistas

Para entender melhor esse cenário, Glauber Santos, um economista e coordenador da pós-graduação em turismo da USP, aponta que é impossível analisar as tarifas de Trump sem considerar a política de imigração rígida nos Estados Unidos. Desde o início do segundo mandato de Trump, houve um aumento nas deportações, o que pode ter efeitos diretos sobre a imagem do país para turistas potenciais. “As pessoas estão menos interessadas em visitar os EUA nesse momento”, afirma Glauber, atribuindo essa desinteresse tanto às tarifas quanto ao controle migratório.

Percepções de Hostilidade

Lucas Leite, professor de Relações Internacionais da FAAP, complementa essa análise, afirmando que países com relações comerciais e turísticas intensas com os EUA, como China, Canadá e México, podem sofrer mais com essa percepção de hostilidade. Isso pode transformar a imagem dos EUA de um país aberto e acolhedor para um ambiente mais fechado e imprevisível, o que pode afastar turistas.

Impactos no Turismo de Compras

Outro aspecto a ser considerado é que as tarifas também podem elevar a inflação e os preços dos produtos nos EUA, especialmente aqueles que dependem de importações. O turismo de compras, que atrai muitos brasileiros e turistas de países em desenvolvimento, pode ser severamente afetado. Produtos que antes eram acessíveis se tornam caros, o que pode desestimular essa forma de turismo. “Já estamos vendo uma queda nesse turismo de compras”, comenta o professor.

Como os Viajantes Brasileiros Devem Se Comportar?

As viagens para compras não são a única área impactada. As viagens de negócios, que têm grande importância para a economia americana, também devem ser afetadas. Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, destaca que esse tipo de deslocamento é crucial para o setor aéreo mundial. No entanto, ele também vê uma oportunidade para o Brasil se conectar mais com outros países, aumentando o turismo de negócios.

O turismo de lazer também pode enfrentar desafios. Glauber acredita que destinos na Europa e no Canadá podem se beneficiar com esse cenário. “As tarifas de Trump não parecem gerar reações nas tarifas entre a Europa e o Brasil, então a tendência é que os destinos concorrentes aos EUA se tornem mais atraentes”, explica.

Olhando para o Futuro

Dietze, por outro lado, acredita que os brasileiros continuarão a viajar para os EUA, tanto a trabalho quanto a lazer. Ele argumenta que a demanda por viagens ao país é forte e que a estabilidade do câmbio, que atualmente está em torno de R$ 5,60, pode incentivar ainda mais os turistas brasileiros. “Não vejo como as tarifas impactem negativamente a procura por viagens aos EUA”, conclui.

Diante de todas essas incertezas, especialistas alertam para a necessidade de acompanhar de perto como as políticas de tarifas de Trump vão se desenrolar. Embora haja divergências sobre como os turistas brasileiros reagirão, um fato é certo: com tarifas de 10% sobre produtos nacionais, o Brasil pode ser um dos países menos afetados na guerra comercial. Assim, é fundamental que os viajantes se mantenham informados sobre essas mudanças e planejem suas viagens com atenção ao cenário econômico.



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