Lewandowski: “Governo não tem interesse em interferir nas polícias”

Entenda a Nova Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública: O Que Está em Jogo?

Nesta quarta-feira (21), o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, fez uma defesa contundente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, destacando que o governo federal não tem interesse em interferir nas polícias estaduais. Essa declaração foi feita durante uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde Lewandowski respondeu a perguntas dos deputados a respeito dessa proposta que pode mudar bastante a forma como a segurança pública é gerida no país.

O que é a PEC da Segurança Pública?

A PEC da Segurança Pública é uma iniciativa que visa estabelecer um Sistema Unificado de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Brasileira. Atualmente, esse sistema já existe na legislação, mas não está formalmente na Carta Magna. Essa mudança pode ser um passo significativo para a integração das forças de segurança em todo o Brasil. O projeto foi encaminhado à CCJ em abril e, após muita discussão e críticas, começou a tramitar. O deputado Mendonça Filho (União-PE) foi designado como relator da proposta.

O Que o Ministro Disse?

Durante sua fala, Lewandowski enfatizou que o principal objetivo da PEC é a colaboração entre a União, estados e municípios para o combate ao crime organizado. Ele destacou que não se trata de uma proposta eleitoreira, reiterando que não se espera ganhar votos com essa medida, mas sim promover a integração das forças policiais. Segundo ele, “não vamos ganhar a eleição com isso. Queremos a integração.” Essa afirmação é importante, pois coloca a PEC como uma ação de longo prazo em vez de uma estratégia política imediata.

Críticas e Considerações do Relator

O relator, Mendonça Filho, também fez comentários críticos sobre a proposta enviada pelo governo, embora tenha reconhecido que o objetivo final é comum entre Câmara e governo. Ele disse: “Não sou um federalista radical, mas cultivo o valor da autonomia dos estados. Não concebo que você possa combater o crime organizado a partir de Brasília.” Essa frase é crucial, pois reflete uma preocupação com a autonomia dos estados na gestão de suas polícias.

Pontos-Chave da Proposta

  • Competência da União: A proposta atribui à União a responsabilidade de estabelecer políticas e planos nacionais de segurança, além de coordenar o sistema penitenciário.
  • Autonomia Estatal: As competências da União não excluem as responsabilidades dos estados em relação à segurança pública.
  • Transformação da PRF: A Polícia Rodoviária Federal (PRF) se tornará a Polícia Viária Federal, ampliando suas competências.
  • Fundo Nacional de Segurança Pública: A proposta inclui a criação de fundos para apoiar projetos relacionados à segurança.
  • Autonomia das Corregedorias: As corregedorias das polícias e guardas municipais terão autonomia para instituir ouvidorias.

Um Debate Necessário

O debate sobre a PEC da Segurança Pública é crucial, especialmente em um momento em que o Brasil enfrenta desafios sérios relacionados à violência e ao crime organizado. A proposta ainda precisa passar por diversas etapas antes de se tornar realidade, passando pela CCJ e, posteriormente, por uma comissão especial. Após isso, o texto deverá ser aprovado em dois turnos pelo plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.

Reflexões Finais

É evidente que a segurança pública é um tema que toca a vida de todos os brasileiros. As mudanças propostas visam não apenas melhorar a eficiência das forças de segurança, mas também integrar os esforços em todos os níveis de governo. A PEC da Segurança Pública pode ser um passo importante na direção certa, mas a sua implementação e aceitação dependerão do diálogo e da cooperação entre os diversos entes federativos.

Você o que acha sobre essa proposta? Acredita que a integração das forças de segurança pode ajudar a combater a violência no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários!



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