Fisioterapeuta é preso em Curitiba por falsificar medicamentos e por exercício ilegal da medicina

Escândalo em Curitiba: Fisioterapeuta É Preso por Irregularidades em Procedimentos Estéticos

No último mês de dezembro de 2024, um caso alarmante veio à tona em Curitiba, envolvendo um fisioterapeuta que foi detido por exercer a medicina de forma ilegal e por falsificação de medicamentos. Tudo começou quando um paciente de 41 anos registrou uma ocorrência junto às autoridades, relatando que havia sofrido sérias complicações após um procedimento estético. De acordo com a delegada Aline Manzatto, o paciente desenvolveu necrose em uma área íntima do corpo, o que o levou a acreditar que o produto que foi aplicado não era o que havia sido discutido inicialmente. Ele suspeitava que o profissional havia usado PMMA em vez de ácido hialurônico, o que gerou inquietação e desconfiança sobre a qualidade e segurança do procedimento realizado.

O que é o PMMA?

O PMMA, ou polimetilmetacrilato, é um tipo de plástico que, embora tenha várias aplicações na medicina e em outros setores, é considerado de alto risco quando utilizado para preenchimentos subcutâneos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta rigorosamente o uso dessa substância, exigindo que todos os produtos utilizados tenham registro e que sejam manipulados de acordo com normas específicas de segurança. O fato de o paciente ter apresentado complicações sérias após o uso de um produto sem a devida regulamentação levanta um alerta importante sobre a segurança nos procedimentos estéticos realizados por profissionais não habilitados.

Investigações e Descobertas

Após a denúncia do paciente, as autoridades iniciaram uma investigação minuciosa. A polícia, acompanhada de fiscais da Vigilância Sanitária, visitou o consultório do fisioterapeuta e se deparou com uma série de irregularidades. Entre as infrações encontradas, estava o transporte de materiais médicos descartáveis, como seringas e agulhas, de forma inadequada em uma mochila, além do armazenamento de Botox sem refrigeração e sem nota fiscal. Também foram encontrados resíduos hospitalares misturados ao lixo comum, o que agrava ainda mais a situação do profissional.

O Preço Atraente

Um detalhe que chamou a atenção da delegada foi o fato de que havia um paciente recebendo atendimento no local que havia viajado de Goiás até Curitiba em busca de um procedimento estético. O custo do tratamento realizado pelo fisioterapeuta era significativamente mais baixo do que o praticado por médicos qualificados, que cobrariam cerca de R$ 30 mil. Em contrapartida, o paciente pagou entre R$ 4 mil e R$ 4,5 mil pelo procedimento, o que, sem dúvida, despertou interesse, mas também levantou questões sobre a segurança e a eficácia do tratamento.

Materiais Irregulares e Proibições

Embora o PMMA não tenha sido encontrado nas investigações, a delegada informou que outros produtos, como cânulas e ácido hialurônico, estavam presentes no consultório, mas sem a devida documentação da Anvisa. Além disso, foram localizados materiais vencidos e frascos sem identificação. Um ponto crítico foi a descoberta de hialuronidase manipulada, uma substância proibida para o uso em preenchimentos intradérmicos, o que demonstra a falta de cuidado e a negligência do fisioterapeuta em relação à saúde dos seus pacientes.

Consequências Legais

As ações da Vigilância Sanitária resultaram na interdição do consultório, e o fisioterapeuta foi encaminhado ao sistema penitenciário. A gravidade dos crimes cometidos poderá levar o profissional a cumprir até 22 anos de prisão, conforme explicou a delegada Manzatto. Além disso, é importante notar que o suspeito possuía uma considerável presença nas redes sociais, com mais de 10 mil seguidores, onde divulgava diversos procedimentos realizados, o que pode ter contribuído para a procura por seus serviços, apesar das evidências de irregularidades.

Reflexões Finais

Este caso serve como um alerta sobre a importância de realizar procedimentos estéticos apenas com profissionais devidamente qualificados e registrados. A segurança deve ser sempre a prioridade, e é fundamental que os pacientes estejam cientes dos riscos associados a tratamentos realizados por pessoas sem a formação adequada. A vigilância e a conscientização sobre essas questões são essenciais para proteger a saúde e o bem-estar de todos.

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