Após se tornar réu, Bolsonaro não perdoa e ataca Alexandre de Moraes

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou hoje na frente do Senado, após ser se tornar réu por tentativa de golpe de Estado. Durante quase uma hora de discurso, ele tentou se defender, dizendo que as acusações contra ele eram “graves e sem fundamento”. Bolsonaro ainda atacou ministros do STF, voltou a falar sobre o voto impresso e alegou que discutiu apenas “hipóteses” com os comandantes das Forças Armadas, sem a intenção de cometer um golpe.

Bolsonaro afirmou que foi ao Supremo ontem, mas não se sentiu confortável para ir hoje, dizendo que sabia o que iria acontecer. “Parece que eles têm algo pessoal contra mim”, falou ele, se referindo aos ministros do STF. Além disso, ele negou que tenha incentivado qualquer tipo de manifestação violenta. Para ele, o relator do caso, Alexandre de Moraes, escolheu não incluir imagens que poderiam ser favoráveis a ele no processo, e por isso, os inquéritos acabam sendo secretos. “Ele bota o que ele quer lá”, comentou, sugerindo que o processo não era justo.

Durante o discurso, Bolsonaro também relembrou episódios de 2021, quando ele participou de atos do 7 de setembro e disse que não iria cumprir decisões do ministro Alexandre de Moraes. Ele também fez críticas à atuação do ministro da Justiça na época, Flávio Dino, questionando a forma como foram entregues os vídeos de janeiro de 2023. “Ele entregou só quatro vídeos, e falou que o contrato tinha vencido. Aí é fácil, né? Aí ele me chama de golpista”, desabafou o ex-presidente.

Em relação à acusação de tentativa de golpe, Bolsonaro foi enfático em negar. Para ele, só o fato de assinar um decreto não faria de sua ação uma tentativa de golpe. “Eu não convoquei os conselhos da República, nem houve qualquer ato preparatório. Se o simples fato de discutir o que está na Constituição já é considerado golpe, então não tem mais como agir dentro da lei”, disse. No entanto, ele admitiu que discutiu “hipóteses” de dispositivos constitucionais com os comandantes das Forças Armadas. “Eles jamais embarcariam numa aventura. Eu estava apenas discutindo hipóteses”, afirmou.

Além disso, o ex-presidente fez mais críticas à urna eletrônica e voltou a defender a implementação do voto impresso. Para ele, o voto impresso é um direito dos brasileiros, assim como a contagem pública dos votos. “A contagem dos votos tem que ser transparente. O voto impresso é um direito. Todo mundo sabe que a eleição tem que ser clara”, insistiu, mesmo que essa ideia tenha sido amplamente rejeitada em várias ocasiões por especialistas e autoridades eleitorais.

O Senado ouviu atentamente o discurso de Bolsonaro, que teve o apoio de seus aliados, mas também enfrentou críticas dos opositores. Enquanto isso, a Primeira Turma do STF, por unanimidade, decidiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados seriam processados por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A partir de agora, o tribunal começará a ação penal, onde será possível determinar se o ex-presidente e seus aliados serão condenados ou absolvidos.

Essa decisão marca mais um capítulo tenso da política brasileira, em um momento onde as tensões entre os poderes estão bem altas. Bolsonaro, mesmo diante da acusação de tentativa de golpe, continua a se mostrar firme em suas declarações e a questionar os processos legais, sem admitir qualquer culpa. O que resta agora é aguardar os próximos passos desse longo processo judicial, que pode ter um impacto significativo na política do país.



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