Após caso Rafa Vitti, Sindicato promete “caça às bruxas na Globo”

O presidente do Sindicato dos Artistas, Hugo Gross, falou sobre a preocupação crescente com a contratação de atores que não têm registro profissional, principalmente depois da polêmica envolvendo o ator Rafa Vitti, que teve sua regularização questionada. Vitti, que está escalado para a próxima novela das 7 da Globo, Dona de Mim, virou alvo de críticas, e Gross aproveitou para reforçar a importância da fiscalização nesse sentido.

Em uma entrevista recente à Contigo!, Gross não escondeu sua insatisfação com o que considera uma “invasão” de influenciadores digitais no mundo da atuação, sem o preparo necessário. Para ele, a regulamentação da profissão é fundamental para garantir que quem esteja trabalhando como ator realmente tenha a formação necessária para isso, e que o mercado de trabalho seja justo, tanto para os veteranos como para os novos talentos.

Ele criticou a prática das emissoras de televisão em contratar influenciadores digitais para papéis de destaque em novelas, sem nem ao menos exigir o registro profissional, que segundo ele, deveria ser obrigatório. “É essencial para valorizarmos a profissão e não deixar qualquer pessoa sem qualificação tomar o lugar de quem estudou e se preparou para isso”, disse Gross, citando exemplos de grandes nomes da atuação, como Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, que dedicaram anos ao estudo e aperfeiçoamento de sua arte.

Gross também mencionou o caso de Patrícia Ramos, uma influenciadora que tentou entrar para o elenco de uma novela, mas não tinha o registro profissional de atriz. Segundo ele, ela se achava no direito de atuar só porque tinha muitos seguidores nas redes sociais. “Ela era figurante e pensou que já podia ser atriz, só por causa da fama na internet. Mas as regras existem por um motivo. Não é assim que a coisa funciona”, afirmou.

O presidente do sindicato aproveitou para esclarecer que, em alguns casos específicos, a lei permite que pessoas sem registro atuem, como foi o caso de Jade Picon, que teve autorização especial para participar de Travessia, mas que isso não deve virar uma regra. Ele também acusou as emissoras de televisão de tentarem “burlar” as exigências legais e priorizarem nomes conhecidos, mesmo que esses não possuam a formação necessária para a função.

“Já ouvi de algumas pessoas, tipo o Francisco Acioli, que é diretor de elenco, dizendo que preferem contratar quem não tem registro, porque ele acha que isso vai dar muito mais visibilidade à novela, já que são nomes populares. Mas a gente está de olho em tudo isso e, se necessário, vamos notificar as emissoras, ou até mesmo judicializar o caso”, declarou Gross. Ele acredita que essas práticas prejudicam não apenas os profissionais qualificados, mas também a qualidade do conteúdo produzido.

Por fim, Gross reafirmou o compromisso do sindicato em defender os direitos dos profissionais da arte, sejam eles atores, atrizes, técnicos ou outros trabalhadores da área. “O Sated está aqui para garantir que as leis sejam cumpridas, que os profissionais sejam respeitados e que o mercado de trabalho continue sendo justo. A gente tem artistas incríveis no Brasil, e é isso que queremos preservar”, concluiu.

Com isso, o sindicato se mantém firme em sua luta para proteger a classe artística e garantir que o talento e a formação sejam devidamente reconhecidos.



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