Em 21 de janeiro, Dorinha Duval, uma estrela das antigas da TV, completou 96 anos. Ela é uma das artistas mais longevas do Brasil, ao lado de grandes nomes como Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Laura Cardoso, Othon Bastos, Berta Loran e outros poucos, que continuam marcando a história da cultura do país.
Hoje, Dorinha vive afastada dos holofotes. Nos últimos anos, ela se dedicou à pintura, criando quadros. Sua última aparição na TV foi em 2006, em uma participação rápida na novela Belíssima, em que fez uma homenagem aos tempos em que brilhou no teatro de revista, como vedete.
Mas a carreira da atriz teve uma interrupção trágica. Em 5 de outubro de 1980, Dorinha fez algo que ninguém esperava: atirou três vezes contra seu marido, o publicitário Paulo Sérgio Alcântara, com quem era casada há seis anos. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu. A situação foi tensa e Dorinha teve que se explicar na justiça. Ela alegou que agiu em legítima defesa, explicando que o marido a humilhava constantemente, chamando-a de “velha, feia e gorda”, e ainda flertava com outras mulheres.
O julgamento inicial foi anulado e ela foi a um novo tribunal. Depois de ser condenada a seis anos de prisão, cumpriu apenas nove meses em regime semi-aberto, mas a mancha de ter sido ex-presidiária pesou muito. Sua carreira nunca mais foi a mesma. Apesar de ter sido uma atriz de sucesso, a sociedade e a mídia não souberam perdoar o erro, e ela não conseguiu voltar para a televisão.
Nascida Dorah Teixeira em São Paulo, no dia 21 de janeiro de 1929, ela sempre teve o apoio da família para seguir seus sonhos. Começou como bailarina em cassinos e cantora de boates, e logo se tornou uma vedete de grande destaque. Ela tinha um carisma enorme e atraía olhares de todos, além de ter um talento inegável. Com o tempo, ela entrou para o mundo das radionovelas e logo se viu convidada para a televisão.

Na Globo, ela participou de várias novelas históricas, incluindo Irmãos Coragem. Mas foi em O Bem-Amado que ela ganhou destaque nacional, interpretando uma das irmãs Cajazeiras. Em 1977, Dorinha foi desafiada a vestir a fantasia de jacaré para participar de um novo programa infantil. Ela aceitou e se transformou na primeira Cuca do Sítio do Picapau Amarelo. A personagem foi um sucesso imediato, mas, mesmo assim, ela não voltou para a segunda temporada. Preferiu buscar novos desafios e fez o episódio “O Homem que Veio do Brás” na série Plantão de Polícia, que seria seu último trabalho na TV antes da tragédia.
Além disso, Dorinha teve uma longa relação com o diretor e ator Daniel Filho, com quem foi casada por dez anos. Juntos, tiveram uma filha, a atriz Carla Daniel, conhecida por seu papel na novela Alma Gêmea como a empregada Zulmira.
Dorinha Duval, como tantas outras estrelas da televisão, viveu altos e baixos, mas sua marca na cultura brasileira ficou. Ela foi uma mulher à frente de seu tempo, com talento, personalidade e uma história de vida cheia de desafios. Hoje, com 96 anos, continua sendo uma figura admirada, mesmo que distante dos holofotes.