Entenda o verdadeiro motivo de Lula não ter sido convidado para a cerimônia de posse de Trump

O presidente Lula não foi convidado para a posse de Donald Trump, que acontece nesta segunda-feira, dia 20, em Washington, nos Estados Unidos. De acordo com o protocolo, o Brasil será representado pela nossa embaixadora no país, Maria Luiza Viotti. Esse tipo de situação não é nenhuma novidade, pois líderes de outros países também não são chamados para a cerimônia de posse de presidentes americanos. Normalmente, quem vai são os representantes diplomáticos, como os embaixadores, e não os chefes de Estado.

Isso acontece desde sempre, ou pelo menos desde que eu me lembro. Um exemplo disso é que o ex-presidente Jair Bolsonaro também não foi à posse de Joe Biden em 2021. Em vez dele, quem foi representando o Brasil foi o embaixador Nestor Forster. Lá atrás, em 2009, quando o Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos, Lula, que era presidente do Brasil na época, também não foi convidado, mesmo com uma relação política amigável entre os dois. E, nesse caso, o embaixador brasileiro de então, Antonio Patriota, foi quem foi até Washington.

Apesar disso, em algumas ocasiões, o presidente Trump fez uma exceção e convidou outros chefes de Estado. Por exemplo, ele chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Até a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, recebeu convite para estar lá. Parece que essas exceções são mais raras, e não se sabe exatamente o critério para que algumas pessoas sejam chamadas e outras não.

A situação ficou mais polêmica quando Bolsonaro, que está enfrentando alguns problemas com a Justiça, tentou ir para os Estados Unidos também. No começo deste mês, ele pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a devolução do seu passaporte para poder viajar e participar da posse de Trump. Bolsonaro, inclusive, disse que tinha sido convidado para o evento. Só que o ministro Moraes não autorizou a devolução do passaporte e, com isso, Bolsonaro ficou impossibilitado de viajar.

Bolsonaro, por sua vez, não ficou quieto e se mostrou bem irritado com a decisão. Ao levar a esposa, Michelle Bolsonaro, para o aeroporto no sábado (18), ele fez questão de desabafar com jornalistas. Ele disse que estava “chateado” e se sentia “abalado” pela decisão de Moraes. O ex-presidente acusou o ministro de estar perseguindo ele politicamente e afirmou que Moraes tem muito poder sobre o que acontece no Brasil. Segundo Bolsonaro, Moraes decide o que acontece com a vida de milhões de pessoas e não presta contas a ninguém, nem ao Ministério Público. E, claro, ele aproveitou para criticar a situação política do país, afirmando que a intenção do ministro é eliminar a direita no Brasil.

Além disso, Bolsonaro também se queixou de ser investigado desde 2019, no que ele chama de “inquérito das fake news”, e falou sobre o episódio do 8 de janeiro, o qual ele considera um evento que ainda não foi devidamente esclarecido. Ele questionou, inclusive, o que aconteceu nesse dia e quem realmente liderou os movimentos que tentaram invadir os prédios do governo. Para ele, é tudo uma grande incógnita.

Enfim, essa história toda está gerando um certo burburinho por causa das polêmicas em torno das decisões dos tribunais e da política externa. Mas, no fim das contas, parece que tudo isso faz parte do jogo político de sempre, onde o protocolo e as decisões judiciais se misturam com as rivalidades entre os líderes. E quem acaba decidindo quem vai ou não vai para os eventos são, muitas vezes, as convenções e interesses políticos.



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