Mpox: entenda o surto com variante mais letal

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta sério nesta quarta-feira, dia 14, sobre o surto de mpox na África, classificando-o como uma emergência de saúde pública global. A decisão veio depois de o comitê de emergência da entidade se reunir devido às preocupações de que uma nova e mais perigosa cepa do vírus possa se espalhar para outras regiões que normalmente não enfrentam esse problema.

O surto mais preocupante está na República Democrática do Congo, onde já foram confirmados 15,6 mil casos de mpox e 537 vítimas fatais só este ano, segundo a OMS. A situação está ainda mais alarmante porque a cepa atual do vírus é diferente da que causou o surto global de 2022, que era menos grave. Agora, a nova versão do vírus, que está circulando na África, parece ser mais letal e pode se espalhar mais facilmente.

“Historicamente, havia um grupo de vírus que circulava na África Ocidental, conhecido como clado 2, e outro grupo maior que estava na República Democrática do Congo e regiões vizinhas, chamado clado 1,” explica Giliane Trindade, professora de microbiologia da UFMG, à CNN.

Ela acrescenta que “o clado 1 é o que está se espalhando rapidamente na República Democrática do Congo e é mais virulento que o clado 2, causando quadros clínicos mais graves.” Em setembro de 2023, surgiu uma nova subvariante dentro do clado 1, chamada clado 1B, que também é considerada mais perigosa que o clado 2.

Além da República Democrática do Congo, casos da nova cepa foram encontrados em Ruanda, Uganda e no Quênia. Análises estão sendo feitas no Burundi para checar se os casos recentes lá estão ligados a essa nova variante.

Mas, afinal, o que é mpox?

É uma doença causada pelo vírus mpox, que pertence ao gênero Orthopoxvirus e à família Poxviridae. A transmissão acontece principalmente pelo contato com pessoas infectadas ou com materiais contaminados. Pode se espalhar por contato próximo, como beijo e relações afetivas, ou através de itens contaminados como lençóis e roupas.

Os sintomas incluem lesões na pele, que podem vir acompanhadas de febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza. O intervalo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos sintomas pode variar de três a 21 dias. As lesões começam como manchas planas ou levemente elevadas preenchidas com um líquido claro ou amarelado e, com o tempo, podem formar crostas que eventualmente caem. Essas lesões podem aparecer em diversas partes do corpo, incluindo rosto, mãos, pés, boca, olhos e órgãos genitais.

O que são clados?

O vírus mpox tem dois clados principais: 1 e 2. Clados são grupos de vírus que têm semelhanças genéticas, mas não são idênticos. “Esses grupos têm diferenças nos genes que interagem com o sistema imunológico do hospedeiro,” explica Trindade.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o clado 1 causa uma forma mais grave e letal da doença comparado ao clado 2. O clado 1 é endêmico na República Democrática do Congo e é o responsável pelo surto atual. Já o clado 2 foi o causador do surto global iniciado em 2022. No Brasil, os casos recentes estão ligados ao clado 2.

O novo clado 1B, identificado em setembro de 2023, está mostrando uma disseminação rápida na República Democrática do Congo, associada ao contato amoroso e alta mobilidade populacional. O médico infectologista Álvaro Costa, especialista em mpox, alerta que a OMS está temendo que essa nova variante se espalhe globalmente, como aconteceu com o clado 2 em 2022.

A nova variante é mais letal?

Sim, de acordo com o CDC, o surto atual é mais disseminado e mortal do que os anteriores. Neste ano, a República Democrática do Congo já registrou mais vítimas fatais do que em todo o surto de 2022, mesmo com um número menor de casos. A nova linhagem dentro do clado 1, chamada 1B, tem mutações que aumentam sua transmissibilidade e gravidade dos sintomas.

Trindade acredita que a nova variante pode acabar se espalhando para outras regiões além da África devido à globalização. O Ministério da Saúde do Brasil já está atento à situação e convocou uma reunião para atualizar o plano de contingência.

Ainda não há um tratamento específico para mpox. O tratamento é focado em aliviar os sintomas e prevenir complicações. A vacina existente para o clado 2 pode oferecer alguma proteção contra o clado 1. Vacinas são recomendadas especialmente para pessoas com alto risco e profissionais que lidam diretamente com o vírus.



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