Na terça-feira (13), as forças russas reagiram com tudo contra as tropas ucranianas. Usaram mísseis, drones e ataques aéreos para tentar reverter a situação, depois que um comandante de alto escalão afirmou que esse foi o maior ataque ao território russo desde o início da guerra.
Tudo começou há uma semana, quando soldados ucranianos deram um ataque surpresa e invadiram a fronteira russa. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acredita que esse movimento foi uma jogada para melhorar a posição de negociação da Ucrânia e atrasar o avanço das forças russas na batalha.
A Ucrânia conseguiu avançar para dentro do território russo, mostrando que as defesas russas na fronteira não estavam tão fortes quanto se pensava. Como resultado, Moscou teve que evacuar cerca de 200 mil pessoas e começou a enviar reforços enquanto impunha um bloqueio de segurança rigoroso.
Blogueiros de guerra russos contaram que as batalhas em Kursk estavam sendo intensas. As forças ucranianas estavam tentando expandir seu controle, mas os russos estavam reagindo com soldados e fogo pesados, conseguindo repelir muitos ataques. O Ministério da Defesa da Rússia até publicou imagens de bombardeiros Sukhoi Su-34 atacando as tropas ucranianas e de infantaria atacando as posições ucranianas.
O Major General Apti Alaudinov, que comanda uma unidade de forças especiais chechenas, declarou que a “blitzkrieg” ucraniana foi interrompida e que o inimigo percebeu que seus planos não estavam dando certo.
Ainda não está claro qual lado controla a cidade de Sudzha, uma área fundamental pela qual a Rússia transporta gás da Sibéria Ocidental para a Ucrânia e outros países da União Europeia. No entanto, a Gazprom confirmou que ainda estava bombeando gás para a Ucrânia através de Sudzha.
O governador interino de Kursk, Alexei Smirnov, afirmou na segunda-feira que a Ucrânia estava controlando 28 assentamentos na região e que a incursão tinha uma profundidade de cerca de 12 km e largura de 40 km. A Ucrânia, por outro lado, diz que controla 1.000 km² da Rússia, mais que o dobro do que foi relatado por Smirnov. A Reuters ainda não conseguiu verificar essas informações independentemente.

Essa tentativa ousada da Ucrânia em um país tão poderoso e com materiais nucleares tem riscos para ambos os lados, Kiev e Moscou.
Após a invasão russa em 2022, os líderes ocidentais prometeram ajudar a Ucrânia a derrotar as tropas russas. Em 2022, a Ucrânia conseguiu recapturar grandes áreas de território. No entanto, a contraofensiva em 2023 não conseguiu penetrar nas defesas russas fortemente entrincheiradas, e as forças russas avançaram ainda mais no território ucraniano.
Putin, em sua residência em Novo-Ogaryovo, prometeu que a Rússia expulsaria as tropas ucranianas e que as forças russas estavam acelerando seu avanço em outras partes da frente. A ocupação de território russo pela Ucrânia tem sido um grande desconforto para o exército russo e para Putin, que mostrou visivelmente sua impaciência com um oficial durante uma reunião televisionada na segunda-feira.
Atualmente, a Rússia controla menos de um quinto do território internacionalmente reconhecido como Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou em um discurso que a operação na Rússia era fundamental para a segurança ucraniana, pois a região de Kursk estava sendo usada pela Rússia para lançar ataques contra a Ucrânia.
No entanto, ao focar em Kursk, a Ucrânia pode estar deixando outras áreas da frente vulneráveis. Além disso, a Rússia, com um exército muito maior, pode tentar cercar as forças ucranianas.
Os apoiadores ocidentais da Ucrânia, que estavam preocupados em evitar uma escalada da guerra para um confronto direto com a Otan, disseram que não foram informados antecipadamente sobre a ofensiva ucraniana. Em Kursk, já haviam sido evacuadas 121.000 pessoas e outras 59.000 estavam em processo de evacuação. Na região vizinha de Belgorod, também na Rússia, 11.000 civis foram evacuados, conforme relatado pelo governador local.