O Banco Central anunciou que as operações via PIX bateram um novo recorde na última sexta-feira (5), com um total de R$ 119,4 bilhões movimentados em um só dia. Isso mostra como o sistema de pagamento tá cada vez mais popular entre os brasileiros. No entanto, junto com essa popularidade, também tem crescido o número de golpistas que usam o PIX pra aplicar fraudes.
Nas duas primeiras semanas de julho, teve um caso que chamou bastante atenção: um professor do Paraná devolveu um PIX que ele achou que tinha sido feito por engano e acabou ficando no prejuízo. Isso levantou um alerta pro golpe do “PIX errado”.
Mas afinal como os criminosos agem:
O fraudador faz uma transferência pra conta da vítima usando uma chave PIX, geralmente o número de telefone. Depois, ele manda uma mensagem ou liga pra vítima com o mesmo número, dizendo que fez a transação por engano e pedindo o dinheiro de volta, mas passa a chave PIX de outra conta. Enquanto a vítima devolve o dinheiro pra essa nova conta, o golpista usa um mecanismo chamado Mecanismo Especial de Devolução (MED) pra pedir ao banco o dinheiro de volta na conta de onde ele fez o PIX inicial.
Um exemplo desse golpe é o caso do professor paranaense Luiz Cezar Lustosa Garbini. O golpista transferiu R$ 700 “por engano” e, no fim das contas, ficou com R$ 1.400 – R$ 700 devolvidos pelo banco e R$ 700 devolvidos pelo professor. O professor perdeu R$ 700, mas foi reembolsado pelo banco depois que o caso ganhou repercussão na mídia.
Agora, vamos entender como funciona o MED e quais são os problemas. O MED é um recurso do PIX que foi criado pra facilitar as devoluções em caso de fraudes, e está ativo desde novembro de 2021. Ele serve pra bloquear os recursos na conta recebedora depois de uma reclamação de fraude, pra que o banco possa avaliar o caso e devolver o dinheiro pra vítima.
O problema é que o sistema só permite o bloqueio dos valores na primeira conta que recebeu o recurso. Então, a devolução do dinheiro depende de ainda ter fundos na conta do fraudador. E é aí que mora o problema, porque os golpistas muitas vezes transferem o dinheiro pra várias outras contas, dificultando o rastreio e a análise do caso pelo banco.
Esse ano, já foram registradas mais de 1,6 milhão de solicitações de devolução, que representam 64,3% do total de pedidos de 2023, que foram cerca de 2,5 milhões.
Então, como se proteger do golpe do “PIX errado”? Primeiro, se você receber um depósito indevido e um pedido de devolução, confira se a conta informada pra devolução é a mesma que fez o PIX por engano. Se desconfiar das mensagens ou perceber que não é a mesma conta ou chave PIX, entre em contato com o seu banco imediatamente. Mas lembre-se, erros acontecem e nem tudo é golpe. Se você recebeu um PIX inesperado e decidiu ficar com o dinheiro, o Banco Central orienta que isso pode ser considerado crime de apropriação indébita.
E é isso, pessoal. Com a popularidade do PIX, é sempre bom ficar atento e seguir as orientações pra evitar cair em golpes. O melhor jeito de se proteger é estar informado e desconfiar de qualquer situação estranha. Afinal, ninguém quer acabar no prejuízo como o professor Luiz, né?