Fui defenestrada’: Regina Duarte passa política a limpo e encara finitude

Regina Duarte, uma das atrizes mais renomadas do Brasil, viu sua vida tomar rumos inesperados nos últimos anos. Em 2022, após duas tentativas frustradas de retorno aos palcos, Regina, que também atuou como secretária especial de Cultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrentou um “limbo” artístico. A rejeição por parte de autores, que relutaram em se envolver com ela devido à sua associação política, a isolou de muitos colegas de profissão. Nesse contexto, Regina encontrou na arte botânica uma forma de expressão e lançou a mostra “A Natureza e Eu: Novas Descobertas”.

Em uma entrevista exclusiva à equipe da Splash, Regina Duarte abriu o coração, discutindo os motivos que a levaram a aceitar o cargo no governo Bolsonaro, as consequências dessa decisão para sua carreira e vida pessoal, sua nova paixão pela arte botânica e como a passagem do tempo a fez refletir sobre a finitude da vida.

A carreira de Regina Duarte é marcada por icônicos personagens nas produções da Globo, rendendo-lhe o apelido de “namoradinha do Brasil”. Entretanto, sua atuação como secretária especial de Cultura a levou a um novo papel, no qual sua imagem pública sofreu uma transformação radical. Ela intensificou sua participação no debate político, alinhando-se à direita e gerando uma divisão entre seus fãs e colegas de profissão.

Foi um período tumultuado para Regina, que enfrentou isolamento e rejeição no meio artístico. Ela tentou retornar aos palcos, mas os textos que escolheu foram rejeitados por autores que optaram por não se envolver com a atriz. Regina descreveu essa fase como um “limbo”, um período em que se sentiu excluída de uma parte do mundo artístico que antes a acolhia com entusiasmo.

Em meio a essa rejeição, Regina Duarte encontrou na arte botânica um novo caminho. Ela se apaixonou pela ideia de transformar folhas, galhos e cascas secas em quadros, dedicando horas a essa paixão avassaladora. A mostra “A Natureza e Eu: Novas Descobertas” foi o resultado desse novo capítulo em sua vida, e ela nos recebeu na galeria Aqua Arte em Quadros, em Moema, São Paulo, para compartilhar essa jornada.

O passar dos anos trouxe à tona reflexões profundas na vida de Regina. Ela reconhece que, na sua idade, a finitude da vida é um tema inevitável. Ela menciona: “Fui descobrindo, aos poucos, que eu estou interessada na minha morte. É um tema que, na minha idade, não dá para não passar. Eu sei que uma hora eu vou, como todo mundo vai, para outro lugar.”

Regina também destacou como essa nova perspectiva a fez repensar sua saúde e hábitos. Ela passou a prestar mais atenção ao que come, à maneira como mastiga os alimentos e à importância de cuidar do próprio corpo. Pequenas mudanças, como cortar o café por não gostar da bebida em si, mas sim do açúcar, tornaram-se símbolos de sua nova abordagem consciente em relação à saúde.

Na entrevista, Regina abordou sua participação no governo Bolsonaro, revelando que o convite para integrar a administração foi “irresistível”. Ela admitiu que não estava preparada para o cargo de secretária especial de Cultura, mas a curiosidade de conhecer os subterrâneos de Brasília a atraiu. Ela também compartilhou a tentativa de nomear o produtor cultural Humberto Braga como secretário-adjunto, o que não se concretizou.

No entanto, Regina enfrentou desafios na política. Lidou com manifestações contrárias da classe artística, quebrando um contrato de décadas com a Globo para seguir seu novo caminho. Ela reconhece que a experiência foi assustadora, mas também uma oportunidade de crescimento pessoal. Ela afirmou: “Fui defenestrada, essa palavra me ocorreu agora há pouco, e não me arrependo. Pelo contrário, foi muito bom para mim.”

Regina também abordou a sua passagem pela Secretaria Especial de Cultura, que durou pouco mais de três meses e foi marcada por polêmicas e desentendimentos. Sua saída do governo foi anunciada em maio de 2020, e ela compartilhou a sua perplexidade sobre o motivo de não assumir o comando da Cinemateca em São Paulo, algo que estava planejado. A decisão de não seguir em frente com a nomeação ocorreu porque a gestão da Cinemateca foi transferida para uma organização social.

Regina Duarte encerrou a entrevista refletindo sobre a sua vida atual. Ela se descreve como uma avó coruja, grata aos filhos por lhe darem netos, e sente que cumpriu a sua missão na arte, levando alegria e emoção ao público. Ela se sente realizada e afirma: “Estou vivendo a melhor idade, sinceramente, o melhor período. Eu aprendi muita coisa na vida. Tive uma família que prestou atenção em mim, me deu todas as chances de desenvolver os talentos que eles começaram a perceber em mim. Sou uma artista, sou atriz.”

A vida de Regina Duarte é um testemunho de como a arte, a política e a reflexão sobre a finitude podem se entrelaçar em uma trajetória única. Sua paixão pela arte botânica e sua coragem ao seguir seu próprio caminho, apesar dos desafios políticos, são inspiradoras. Regina Duarte continua a encantar o público com sua autenticidade e sua capacidade de se reinventar, independente das circunstâncias.

 

 



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