Band tira programa do ar após comentarista ‘pregar ódio’ a palestinos

A Rede Bandeirantes decidiu nesta segunda-feira (30) que sua emissora de rádio em Porto Alegre não vai mais transmitir o programa “Hora Israelita” devido ao conflito entre Israel e o Hamas, que já deixou mais de nove mil pessoas mortas, a maioria delas palestinos na Faixa de Gaza. A situação tem gerado repercussões não apenas na região, mas também em diversos lugares ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Essas decisões refletem a sensibilidade e a complexidade do assunto, que continua a ser objeto de debates e discussões em diversas partes do globo.

De acordo com a Band, o programa “Hora Israelita”, criado em 1946 e transmitido aos domingos há 77 anos, foi retirado do ar devido à propagação de discurso de ódio contra os palestinos, principalmente por parte da comentarista Deborah Srour. Em uma edição no dia 15 de outubro, Srour proferiu declarações extremamente controversas, pregando o extermínio da população da Faixa de Gaza e comparando os palestinos a “animais”. Essas afirmações geraram um forte repúdio e levaram à decisão da emissora de encerrar a transmissão do programa.

Parece que não é a primeira vez que Deborah expressa discursos de ódio contra o povo palestino. Na semana passada, durante sua participação no programa “Atualidades Pampa” da TV Pampa, também em Porto Alegre, a comentarista proferiu afirmações extremamente controversas, alegando que “não há civis inocentes do lado de Gaza” e que “Israel tem de lidar com eles como animais”. A apresentadora da atração, Ali Klemt, ainda acrescentou que os palestinos deveriam ser “dizimados”. Essas declarações acentuam a polarização e a sensibilidade do tema, e explicam a decisão da Rede Bandeirantes de interromper a transmissão do programa “Hora Israelita”.

Se defendeu

Diante das declarações de Deborah, a Federação Israelita/RS, uma das patrocinadoras do programa “Hora Israelita”, limitou-se a afirmar que “não respondia pelo conteúdo” da atração. A Band Porto Alegre, por sua vez, ponderou que a opinião de Srour não reflete a postura editorial da rádio. Como resultado, nesta semana, a emissora decidiu pela retirada do programa da grade de programação. Essas ações demonstram a preocupação em distanciar-se das afirmações polêmicas e reafirmar o compromisso com um discurso mais equilibrado e respeitoso.

No vídeo, Deborah Srour se defendeu e reiterou sua identidade como “100% judia e sionista”. Ela afirmou: “Eu não sou uma judia daquelas que se dobra, que vai para o gueto calada, ou como uma carneirinha para a câmara de gás. Acredito no poder de autodeterminação do meu povo em sua terra ancestral. Expressei minha opinião de que Israel deveria exterminá-los”. Essa declaração reforça a polarização e a intensidade das opiniões no contexto do conflito entre Israel e o Hamas, evidenciando as complexidades e desafios envolvidos na busca por uma solução justa e duradoura na região.

Através de uma rápida pesquisa nas redes sociais, é evidente que Deborah Srour expressa apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a Donald Trump. No dia do ataque do Hamas, ela compartilhou um vídeo da deputada bolsonarista Bia Kicis, em que esta estava no santuário de Fátima segurando duas velas, uma para Israel e outra para o Brasil, com o intuito de, nas palavras de Srour, “acabar com a tirania, esse mal, esse desgoverno de esquerda comunista”. Essas postagens refletem as posições políticas e ideológicas da comentarista.

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