Marcos Mion usou suas redes sociais para expressar sua opinião sobre um comentário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação às pessoas com deficiência.
Na quarta-feira passada (19), durante uma reunião com ministros e governadores para discutir medidas de prevenção à violência nas escolas, o presidente Lula afirmou que “pessoas com deficiência mental têm um problema de desequilíbrio de parafuso”.
Conforme apontado pelo apresentador, o discurso do presidente é considerado capacitista. Além disso, o uso do termo “deficiente mental” não é correto, uma vez que há muito tempo foi substituído pelo termo “deficiente intelectual”.
“Muitos de nós precisamos estar atentos, aprender e nos adaptar. O uso desses termos é pejorativo e ainda incentiva outras pessoas a continuarem utilizando-os, quando deveriam ser relegados ao passado”, afirmou Mion.
Como pai de Romeo, um adolescente de 17 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o apresentador ressaltou que muitas pessoas no país não têm acesso à informação e podem se basear nas palavras do presidente.
“Além disso, há uma enorme quantidade de brasileiros que não têm acesso à informação, e quando o presidente faz esse tipo de comentário, pode afetar negativamente as esperanças e perspectivas dessas pessoas. Nós aqui estamos lutando incessantemente pela aceitação, conscientização e inclusão de todas as condições, dia e noite. Mas uma pessoa desinformada pode olhar para seu filho com deficiência intelectual e desanimar, afinal, se o presidente afirma que ele tem ‘um parafuso desequilibrado’, por que continuaria lutando?”, questionou Mion.
O presidente fez o comentário em relação ao ataque a uma creche em Blumenau, município de Santa Catarina, no início do mês, em que um homem invadiu o centro educacional e tirou a vida de quatro crianças. Esse incidente ocorreu apenas 13 dias após um adolescente de 13 anos ter assassinado uma professora a facadas e ferido outras pessoas em uma escola na capital de São Paulo.
“Além disso, há uma enorme quantidade de brasileiros que não têm acesso à informação, e quando o presidente faz esse tipo de comentário, pode afetar negativamente as esperanças e perspectivas dessas pessoas. Nós aqui estamos lutando incessantemente pela aceitação, conscientização e inclusão de todas as condições, dia e noite. Mas uma pessoa desinformada pode olhar para seu filho com deficiência intelectual e desanimar, afinal, se o presidente afirma que ele tem ‘um parafuso desequilibrado’, por que continuaria lutando?”, afirmou Lula.
Na ocasião, o presidente também afirmou que é preciso considerar e analisar as condições mentais das crianças nas escolas e que elas precisam de acompanhamento, de acordo com informações da CNN. Para Mion, essa declaração é irresponsável, pois estabelece uma conexão inadequada entre pessoas com deficiência intelectual e os casos de violência nas escolas que estão ocorrendo no país.
“Isso é um absurdo, não existe comprovação nenhuma sobre isso. Como pai de um autista, eu me sinto atingido. E falo como parte da comunidade autista, que lutamos contra todos os preconceitos, contra o capacitismo, 24 horas por dia. É um trabalho incansável de gerar informação e conteúdo para, quem sabe, um dia, elevar a conscientização a um nível tão alto que vai existir apenas empatia e respeito”.