Nos anos 1970 e 1980, o Brasil foi agraciado pela voz da cantora paraguaia Perla, que emplacou vários sucessos, como as versões de Fernando e Chiquitita, do grupo ABBA. Com sua voz suave e agradável, Perla conquistou fãs em todo o país e se tornou uma referência na música popular brasileira.
No entanto, em 2018, Perla voltou à mídia por um motivo bem diferente: a cantora foi diagnosticada com transtorno de acumulação compulsiva, um distúrbio que leva a pessoa a guardar objetos em excesso, mesmo que eles sejam inúteis e danificados. O transtorno, que também é conhecido como síndrome de Diógenes, pode causar problemas sérios na vida da pessoa, como a dificuldade em se movimentar em casa e a exposição a riscos de saúde, como a proliferação de insetos e roedores.
Diante dessa situação, a cantora precisou da ajuda da equipe do programa Domingo Show, apresentado por Geraldo Luís na Record. Com o apoio de organizadores profissionais, que levaram 10 dias para separar os itens que ficariam na casa de Perla e os que seriam descartados ou doados, a equipe conseguiu ajudar a cantora a superar seu transtorno.
No entanto, a tarefa não foi fácil. Perla se mostrou resistente em abrir mão de seus pertences, chegando a chamar garrafas térmicas quebradas de “meus tesouros”. A psicóloga Deborah Passos, que acompanhou a ação do Domingo Show, orientou a artista para que ela compreendesse a necessidade de abrir mão de itens danificados ou que seriam levados para doação.
Em paz
Além da faxina em sua casa, A famosa ganhou com tratamentos estético e dentário. Ela também ganhou um aplique, que a deixou com os cabelos longos, um de suas marcas registradas.
“Eu converso com as minhas roupas. Parece que elas falam comigo. Todas as vezes que eu chego perto delas eu sinto aplauso do público“, vibrou a artista ao se deparar com os figurinos de shows todo organizado.

Violência física e psicológica .
A cantora ainda enfrentou inúmeros desafios ao longo da carreira, o que certamente implicou no estado em que foi encontrada pelo Domingo Show. No decorrer da entrevistas, ela detalhou o relacionamento delicado com João Reinaldo Rodrigues, herdeiro de uma família tradicional do Rio de Janeiro. A famosa foi alvo de inúmeras violências.
“Eu tinha que mentir para as pessoas, dizia que tinha caído, tropeçado… Ele falava que não ia fazer mais”, disse ao programa Sensacional.
O transtorno de acumulação compulsiva é uma doença que pode afetar qualquer pessoa, independentemente da idade, gênero ou classe social. No entanto, estudos indicam que ele é mais comum em idosos, pessoas que sofrem de depressão, ansiedade ou transtornos obsessivo-compulsivos e indivíduos que tiveram experiências traumáticas na infância, como a perda de um ente querido.
Além disso, o transtorno de acumulação compulsiva é frequentemente associado a outros distúrbios, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a síndrome de Asperger, uma forma de autismo. O tratamento do transtorno envolve a terapia cognitivo-comportamental, que visa ajudar a pessoa a mudar seu comportamento em relação ao acúmulo de objetos.