Vítimas assediadas por Marcius Melhem dão detalhes sobre o caso; vídeo

O caso de assédio envolvendo Marcius Melhem, ex-diretor de humor da TV Globo, voltou a ganhar destaque após quatro mulheres que acusam o humorista de assédio quebrarem o silêncio em uma entrevista para o colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles. Desde a denúncia de Dani Calabresa, em 2019, Marcius Melhem tem sido alvo de um inquérito na Delegacia da Mulher do Rio de Janeiro e acabou sendo demitido da emissora em 2020.

No relato das vítimas, Dani Calabresa, Georgiana Góes, Renata Ricci e Veronica Debom, é possível perceber que Melhem exercia controle sobre elas e manipulava situações para que sentissem uma “dívida de gratidão” com ele. Além disso, o humorista contracenava com as mulheres encostando o seu órgão ereto nelas e chegava a colocar a língua de forma forçada durante os beijos técnicos.

Estava insustentável trabalhar em um ambiente que eu comecei a perceber que eu era barrada dos convites, que não era convidada para as coisas, que eu estava trabalhando com tremedeira. Ele se aproveitava das brincadeiras, pra ‘brincar’ ereto. Não é piada, não é brincadeira”, desabafou Calabresa.

Em seguida, outros relatos surgiram. “Tinha momentos de constrangimento, que eu demorei para entender que não eram normais e tinham o nome de assédio”, contou Georgiana. Além das atrizes, outros profissionais do núcleo de humor, que são testemunhas das vítimas, como Maria Clara Gueiros, Eduardo Sterblitch e Marcelo Adnet; os diretores Cininha de Paula e Mauro Farias; e os roteiristas Carolina Warchavsky e Luciana Fregolente, destacaram que o ambiente de trabalho era tóxico.

Quando saiu na imprensa a notícia sobre o assédio sofrido pela Dani, eu entendi todos os comportamentos típicos [de abuso] que estavam acontecendo, tudo o que eu tinha ouvido falar quando comecei na TV Globo. Eu entendi que era verdade, o que eu tentei bloquear, por um tempo, como se não fosse”, pontuou Carolina.

O assédio é uma grave violação dos direitos humanos e não pode ser tolerado em nenhum ambiente, especialmente no local de trabalho. É importante destacar que o assédio pode causar danos emocionais, psicológicos e físicos às vítimas, além de comprometer a sua carreira profissional.

Ambiente de trabalho afetado

No caso de Marcius Melhem, o seu comportamento tóxico não afetou apenas as vítimas, mas também o ambiente de trabalho como um todo. Suas “brincadeiras” e “piadas” beiravam a linha tênue da relação entre funcionário e chefia.

O fato de Marcius Melhem ser o único diretor de humor da TV Globo na época pode ter contribuído para que o assédio fosse silenciado por tanto tempo. O poder que o humorista tinha por causa do seu cargo na emissora pode ter impedido que as vítimas denunciassem o seu comportamento reprovável.

Felizmente, as vítimas decidiram quebrar o silêncio e expor o comportamento tóxico e machista de Marcius Melhem. É importante que casos de assédio sejam denunciados para que as vítimas possam receber o apoio necessário e que os agressores sejam responsabilizados pelas suas ações.

A TV Globo, por sua vez, deve se posicionar de forma clara e contundente sobre o caso e adotar medidas para prevenir e combater o assédio em seus ambientes de trabalho. É fundamental que as empresas criem uma cultura de respeito e igualdade de gênero, onde o assédio e outras formas de violência de gênero não sejam toleradas.

Confira o vídeo:



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