Doméstica tenta aquecer marmita e é impedida por morador: ”faxineira é ser humano igual a vocês”

A história de Marcelle Oliveira, uma diarista que abandonou sua tarefa no meio do expediente depois de ter sido proibida de utilizar o micro-ondas da casa para aquecer sua comida, destacou a falta de respeito pelos trabalhadores domésticos. A publicação de Marcelle nas mídias sociais teve uma grande repercussão e gerou discussões sobre a necessidade de valorizar esses profissionais. “Não poder esquentar meu almoço? que isso, gente? diarista ou faxineira é ser humano igual a vocês”, disse Marcelle em sua postagem nas redes sociais.

A recusa do proprietário da residência em Ipanema em permitir que Marcelle usasse o micro-ondas, ilustra a falta de compaixão e gratidão que muitos trabalhadores domésticos, incluindo faxineiros e cozinheiros, experimentam cotidianamente. A resposta de Marcelle, que deixou a faxina e desabafou nas redes sociais, destaca a carga emocional que essas circunstâncias podem gerar nos trabalhadores.

A Lei Complementar 150/2015 regulamenta o trabalho doméstico no Brasil, reconhecendo-o como uma atividade essencial para o funcionamento de residências e empresas. No entanto, apesar da importância desse serviço, muitos profissionais enfrentam precariedade, salários baixos, falta de direitos trabalhistas e, principalmente, invisibilidade social.

O caso de Marcelle traz à tona uma reflexão importante sobre a importância de valorizar e respeitar esses profissionais, que realizam um trabalho fundamental para a sociedade. Ademais, a diarista enfatiza a necessidade de reconhecer que esses trabalhadores são seres humanos, dotados de direitos, necessidades e emoções, e que merecem ser tratados com dignidade e respeito.

Essa situação destaca a importância de valorizar as múltiplas habilidades e talentos dos profissionais que atuam em trabalhos domésticos, como no caso da diarista que também é confeiteira.” Nós que fazemos trabalho doméstico não somos menos gente do que você que tem diploma. Todos os profissionais, sejam em qual área for, merecem reconhecimento e respeito”, finalizou ela. 

O incidente ocorreu durante o horário de almoço, por volta do meio-dia. Marcelle foi contatada na quinta-feira (27) pelo homem, que aparenta ter entre 55 e 60 anos, para obter informações sobre seu trabalho. Como o apartamento tinha três quartos, ela cobrou R$ 250 mais a passagem, e informou que traria sua própria marmita. Quando decidiu encerrar o trabalho, ela já havia limpado a sala de estar, a sala de jantar e um banheiro. Após informar que iria sair, o homem disse que não pagaria nem pelo serviço nem pelo deslocamento: 

‘’Perguntei do meu pagamento, ele disse que não iria pagar porque não terminei o serviço. Nisso, eu vim embora para minha casa. Até hoje não me pagou. Eu me senti triste, porque trato todos os meus clientes de maneira respeitosa. Eu não pedi comida, pedi somente para esquentar minha marmita, algo que é normal para quem vai trabalhar, até porque saco vazio não para em pé.’’ Disse a domestíca.

Marcella geralmente promove seus serviços no Twitter. Logo após ser impedida de aquecer sua marmita, ela compartilhou o incidente nas redes sociais. A publicação já alcançou mais de 1,3 milhões de visualizações e causou indignação.

Toda diarista ou faxineira passa por situações difíceis. Nem todo mundo é legal, trata seus funcionários de maneira respeitosa. Já passei por uma outra situação no final do ano passado, quando estava com crise de vesícula e a senhora não quis aceitar. Me tratou de maneira desrespeitosa”, conta ela.



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