Ex-gerente do Rioprev fez anotações sobre possível delação de Vorcaro; veja

Novas Revelações do Caso Banco Master: Anotações de Fernanda Machado e Seus Implicações

Recentemente, novos documentos relacionados à investigação do caso do Banco Master vieram à tona, revelando detalhes intrigantes sobre a atuação de Fernanda Pereira da Silva Machado, que já foi gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência, além de ter presidido o Itaprevi, o Instituto de Previdência de Itaguaí. Em um dos cadernos que foram apreendidos pela Polícia Federal, Fernanda fez anotações que levantam questões sérias sobre a integridade das informações que poderão ser apresentadas por Daniel Vorcaro, o dono do falido Banco Master.

Anotações Reveladoras

Fernanda escreveu que, caso Vorcaro optasse por uma delação premiada que não refletisse a verdade, ele estaria “f*dido”. Essa frase, embora coloquial, carrega um peso significativo no contexto da investigação. Em uma anotação, ela menciona: “Chance de Daniel falar aumentou muito e se ele falar e não bater, ele tá f*dido”. Tais declarações foram feitas durante a apreensão de cinco cadernos pela PF, que ocorreram em maio deste ano. O sigilo sobre essas informações foi revogado pelo ministro André Mendonça, do STF, em uma decisão que gerou grande repercussão na mídia.

O Que Foi Apreendido?

No momento da busca, a PF não apenas apreendeu cadernos, mas também celulares, tablets, notebooks, pen drives e várias folhas avulsas. De acordo com o relatório da PF, muitos dos registros manuscritos parecem ter uma relação direta com os fatos que estão sendo apurados na investigação. Em uma das páginas, por exemplo, há um questionamento sobre o que seria o credenciamento de instituições financeiras, além de anotações sobre a necessidade de um “pedido de acesso ao IPL” e referências a documentos que envolvem o Banco Master. Tais detalhes demonstram a complexidade das operações que estavam em andamento.

Relação com o Banco Master

Fernanda não era uma figura qualquer dentro do sistema de controle. Ela ocupava uma posição estratégica na Gerência de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência, um fundo que administra as aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. A Polícia Federal indicou que ela estava inserida no grupo de dirigentes que possibilitaram os investimentos do Rioprevidência no Banco Master durante o governo de Cláudio Castro, que ocorreu entre outubro de 2023 e outubro de 2025. Durante esse período, a autarquia teria realizado aplicações que ultrapassam R$ 3,7 bilhões em Letras Financeiras e fundos estruturados vinculados ao banco de Vorcaro.

Alterações Estratégicas e Alinhamento Político

Um aspecto que merece destaque é que, segundo a investigação, Cláudio Castro fez mudanças em cargos-chave da autarquia pouco antes de os investimentos serem realizados no Banco Master. A conexão entre o governador e Vorcaro é vista como um fator que criou um “alinhamento político” necessário para esses aportes financeiros. Fernanda fazia parte do elenco de dirigentes que, segundo a PF, foram responsáveis por essas decisões. Outros nomes mencionados incluem Deivis Marcon Antunes, que era o presidente do Rioprevidência, e Eucherio Lerner Rodrigues, o diretor de Investimentos.

Defesa de Fernanda Machado

A CNN buscou um comentário da defesa de Fernanda, que enfatizou que as anotações feitas por ela devem ser interpretadas no contexto de suas atividades profissionais na época em que atuou no Rioprevidência. Além disso, a defesa alegou que a operação de busca e apreensão ocorreu cerca de dois anos após sua saída do órgão, e que Fernanda está à disposição das autoridades para explicar suas ações.

A defesa também destacou que as anotações não devem ser vistas de maneira isolada, pois são registros fragmentados que precisam de uma contextualização para serem compreendidos corretamente. Por fim, Fernanda reafirmou sua disposição em colaborar com as investigações, confiando que a análise dos elementos será feita de maneira técnica e completa.

Considerações Finais

O caso do Banco Master continua a se desenrolar, e as revelações sobre as anotações de Fernanda Machado podem ser cruciais para o andamento da investigação. A intersecção entre política e finanças é, sem dúvida, um tema que merece atenção, e as implicações deste caso são vastas. Será interessante observar como os desdobramentos dessa história vão afetar aqueles que estão envolvidos e qual será o resultado final dessa complexa trama.



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