PF suspeita que R$ 750 mil para produtora de Dark Horse vieram de emendas

Investigação Revela Suspeitas de Irregularidades no Financiamento de Dark Horse

A Polícia Federal está com os olhos voltados para o filme Dark Horse, uma cinebiografia que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Recentemente, surgiram indícios de que R$ 750 mil repassados à produtora responsável por essa obra cinematográfica podem ter origens duvidosas, possivelmente ligadas a recursos públicos provenientes de emendas parlamentares apresentadas pelo deputado federal Mário Frias, do PL de São Paulo. Essa situação levantou uma série de questões sobre a utilização de dinheiro público na produção do filme e os possíveis desdobramentos legais que isso pode acarretar.

A Investigação em Andamento

A apuração, que faz parte de um inquérito mais amplo, foi autorizada pelo ministro Flávio Dino do STF, em uma decisão datada de 3 de setembro. Os investigadores estão examinando as movimentações financeiras do Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização presidida por Karina Gama, que também é proprietária da produtora Go Up Entertainment. O ICB recebeu um total de R$ 2 milhões através de duas emendas feitas por Mário Frias para financiar projetos nas áreas de educação e esporte. Isso levanta a pergunta: onde realmente foram parar esses recursos?

Os Repasses Suspeitos

Entre fevereiro e março do ano passado, duas empresas ligadas ao mesmo grupo, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, receberam R$ 700 mil do ICB por serviços relacionados a um projeto financiado com emenda parlamentar. O que chama a atenção é que, meses depois, em um prazo de apenas dois meses, a empresa NTT Brasil, também vinculada a esse grupo, repassou R$ 750 mil à Go Up Entertainment, a produtora de Dark Horse. A Polícia Federal está investigando se há uma ligação direta entre esses valores e o dinheiro público que foi destinado ao ICB.

Fluxo Financeiro e Gastos Identificados

A PF notou que o fluxo financeiro sugere a possibilidade de que os valores recebidos pelo ICB tenham sido desviados para a produtora do filme. Durante o período das gravações de Dark Horse em São Paulo, a Go Up fez uma série de pagamentos a empresas de diversos setores, como hotelaria e alimentação. Entre os gastos identificados, estão R$ 906,7 mil pagos ao Hotel Unique e R$ 653,1 mil para uma empresa chamada Foodflix Alimentação.

Transferências Diretas e Questionamentos

Outro ponto que gerou desconfiança foi a transferência de R$ 645,4 mil feita pelo próprio Mário Frias para a Go Up em um intervalo de menos de dois meses. Considerando que seus rendimentos mensais eram em torno de R$ 44 mil, surgiram questionamentos sobre a origem e a legalidade desses repasses. Essa movimentação financeira levanta uma série de dúvidas sobre qual seria o lastro financeiro utilizado para esses pagamentos.

Operação Make Up

No dia 10 de setembro, a Polícia Federal deflagrou a operação Make Up, cumprindo 49 mandados de busca e apreensão relacionados ao financiamento do filme. Entre os alvos da operação, estão Karina Gama e o deputado Mário Frias. A investigação, que é realizada em colaboração com a Controladoria-Geral da União (CGU), busca apurar um suposto desvio de emendas parlamentares que foram repassadas a uma organização da sociedade civil.

Crimes Suspeitos e Implicações Legais

A PF acredita que a investigação pode revelar a existência de uma organização criminosa que inclui tanto agentes públicos quanto privados, suspeita de direcionar valores recebidos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem a devida comprovação dos serviços prestados. Crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações estão sob investigação.

Próximos Passos e Expectativas

Atualmente, o financiamento do Dark Horse é objeto de dois inquéritos no STF, um deles sob a relatoria do ministro André Mendonça e o outro sob a relatoria de Flávio Dino, que investiga o possível direcionamento das emendas. Em março, Dino havia solicitado que Mário Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao ICB, questionando possíveis irregularidades na execução dos recursos. O deputado, que também atuou como produtor executivo do filme e foi secretário de Cultura durante o governo Bolsonaro, negou qualquer irregularidade, alegando que os recursos tiveram um destino social.

Essa situação complexa destaca a importância da transparência e do uso responsável dos recursos públicos, especialmente em projetos que envolvem a cultura e a arte. O desenrolar dessa investigação pode trazer à tona questões cruciais sobre a relação entre a política e a produção cultural no Brasil.



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