Netanyahu teria sido avisado antes de ataque de 7 de outubro, diz jornal

Crise em Israel: A Polêmica Ligação que Pode Mudar Tudo para Netanyahu

No último dia 8 de outubro de 2023, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se viu no centro de uma tempestade política após a divulgação de uma reportagem que afirmava que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, o havia alertado sobre uma grande operação do Hamas dias antes do ataque devastador que ocorreu em 7 de outubro. O Gabinete de Netanyahu, por sua vez, classificou a matéria como uma “mentira absoluta”, mas a comoção causada pela notícia não tardou em se espalhar, especialmente com as eleições israelenses se aproximando rapidamente.

O Contexto Político

Com as eleições marcadas para ocorrer em menos de dois meses, os adversários políticos de Netanyahu estão utilizando esta reportagem como um novo exemplo das falhas que eles alegam ter sido cometidas pelo primeiro-ministro. Os líderes dos quatro principais partidos de oposição – Gadi Eisenkot, Naftali Bennett, Avigdor Lieberman e Yair Golan – se uniram em uma declaração conjunta, exigindo uma investigação profunda sobre as supostas falhas e mau funcionamento do governo em relação à segurança nacional.

A pressão agora é imensa. A declaração conjunta questiona diretamente o que Netanyahu sabia sobre a situação, quando ele tomou conhecimento e, crucialmente, por que não tomou medidas para proteger os cidadãos israelenses. A frase que ressoou foi: “O público israelense tem o direito de saber”.

Reações e Consequências

Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro e um dos críticos mais vocais de Netanyahu, declarou que a reportagem é verdadeira. Ele usou suas redes sociais para ressaltar que a falta de ação do primeiro-ministro diante dos alertas recebidos é um claro exemplo de “negligência criminosa”. Juntamente com ele, Yair Lapid, outro ex-primeiro-ministro, também afirmou ter alertado sobre um possível ataque antes que ele acontecesse, assim como outros altos funcionários de segurança e autoridades egípcias. Lapid enfatizou em sua declaração que, se Netanyahu tivesse cumprido seu papel, o massacre poderia ter sido evitado.

A Reportagem e Seus Detalhes

A matéria que desencadeou toda esta crise foi publicada pelo respeitado jornal Haaretz. O texto se baseou em informações de um livro que está prestes a ser lançado pelos jornalistas Shlomi Eldar e Ruti Yuval. Segundo a reportagem, o xeique Mohammed bin Zayed teria entrado em contato com Netanyahu cerca de dez dias antes do ataque, alertando-o sobre um plano iminente do Hamas que poderia resultar em um grande derramamento de sangue.

O conteúdo da mensagem de alerta, que Sinwar, o líder do Hamas, havia transmitido, foi descrito como um iminente “terremoto” que abalaria a região. Netanyahu, por sua vez, teria respondido de maneira relativamente calma, assegurando a Bin Zayed que Israel estava preparado para qualquer eventualidade.

Divisão de Opiniões

Após a publicação, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos emitiu um comunicado afirmando que não comentaria sobre especulações da mídia. No entanto, não negou a realização da ligação, o que levanta ainda mais questionamentos sobre a veracidade das alegações. Uma fonte israelense próxima ao assunto revelou que o gabinete de Netanyahu tentou pressionar os Emirados para desmentir a reportagem, mas o país concordou apenas em divulgar um comunicado sobre o compartilhamento de informações de inteligência.

Responsabilização e Eleições

O timing da reportagem é crucial, pois os opositores de Netanyahu estão ansiosos para transformar a responsabilização pelos trágicos eventos de 7 de outubro em uma questão central na campanha eleitoral. Com mais de 1.200 vidas perdidas e centenas de sequestrados, a responsabilidade de Netanyahu e sua administração está sob intenso escrutínio. Desde o ataque, vários líderes de segurança em Israel se demitiram ou foram afastados, enquanto Netanyahu continua a ser o primeiro-ministro há mais tempo.

Gadi Eisenkot, um dos principais candidatos à sua sucessão, confirmou que a reportagem é um indicativo de que Netanyahu conduziu Israel sem a devida direção em momentos críticos. Ele prometeu criar uma comissão de inquérito estatal se for eleito, algo que muitos cidadãos clamam desde o ataque.

Conclusão

Na esteira de toda essa controvérsia, fica a pergunta: quais serão os desdobramentos políticos e sociais a partir deste incidente? O futuro de Netanyahu e sua administração pode depender da forma como essa situação se desenrola. A narrativa de que ele não foi devidamente informado ou que ignorou alertas pode não ser apenas uma questão de segurança nacional, mas sim uma questão eleitoral que pode determinar o rumo da política israelense nos próximos meses.



Recomendamos