O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à entrevista concedida por Flávio Bolsonaro após a sabatina exibida pela Globo e fez duras críticas à forma como o senador respondeu às perguntas relacionadas ao meio ambiente e às mudanças climáticas. Para Lula, a declaração do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mostrou uma visão limitada sobre um dos principais desafios enfrentados atualmente no mundo.
Em uma manifestação sobre o assunto, Lula classificou a fala de Flávio como “negacionismo climático” e afirmou que existe “amadorismo irresponsável” por parte de quem pretende governar o Brasil sem apresentar propostas mais amplas para enfrentar a crise ambiental.
O presidente também aproveitou para destacar ações realizadas pelo atual governo na área de infraestrutura. Segundo Lula, já foram destinados cerca de R$ 23 bilhões para obras relacionadas ao abastecimento de água, saneamento, esgoto e tratamento de resíduos. Além disso, outros R$ 3,5 bilhões teriam sido utilizados para tentar destravar projetos que estavam abandonados.
Apesar dos investimentos, Lula ressaltou que o combate às mudanças climáticas não pode ficar limitado a uma única área. Para ele, o problema exige uma atuação conjunta envolvendo diferentes setores do governo e da sociedade.
A declaração de Flávio Bolsonaro aconteceu durante uma sabatina em que ele foi questionado justamente sobre as mudanças climáticas e os problemas ambientais do país. Na ocasião, o senador afirmou que uma das principais maneiras de proteger o meio ambiente seria ampliar o acesso da população ao saneamento básico.
A resposta, entretanto, foi considerada insuficiente por Lula, que entendeu que Flávio teria deixado de responder ao ponto principal da pergunta, relacionado às medidas necessárias para diminuir os efeitos das mudanças climáticas.
“Governar o Brasil não é para aventureiros”, afirmou Lula ao comentar o episódio. O presidente também fez uma comparação com a expressão “passar a boiada”, utilizada durante o governo Jair Bolsonaro em uma discussão sobre a flexibilização de regras ambientais.
Outro ponto que chamou atenção durante a entrevista foi a quantidade de vezes em que Lula foi citado pelo senador. Segundo o levantamento apresentado no debate sobre a sabatina, Flávio mencionou o nome do atual presidente 17 vezes. A estratégia foi interpretada por críticos como uma tentativa de direcionar algumas respostas para ataques ao governo.
Entre os assuntos delicados abordados durante a entrevista estavam a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, as repercussões envolvendo o Banco Master, a situação judicial de Jair Bolsonaro e as discussões provocadas pelas medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil.
Para Lula, recorrer constantemente ao nome do adversário não substitui a apresentação de propostas concretas para os problemas do país. O presidente avaliou que um candidato precisa estar preparado para responder questões difíceis e explicar como pretende governar.
“Negar o aquecimento global em pleno século XXI e reduzir o combate às mudanças climáticas a saneamento básico dá a dimensão do amadorismo irresponsável de quem se propõe a governar um país”, declarou Lula.
O episódio acontece em meio à movimentação política para as eleições de 2026, quando nomes ligados aos principais grupos políticos do país já começam a ocupar cada vez mais espaço no debate público. Nesse cenário, entrevistas e sabatinas ganham importância porque permitem que os eleitores conheçam melhor as ideias e também a maneira como cada candidato reage diante de perguntas mais complicadas.
Negar o aquecimento global em pleno século XXI e reduzir o combate às mudanças climáticas a saneamento básico dá a dimensão do amadorismo irresponsável de quem se propõe a governar um país. É retrato de gente que vende soluções simples para problemas complexos. É da lavra do povo…
— Lula (@LulaOficial) August 29, 2026
A troca de críticas entre Lula e Flávio Bolsonaro, portanto, deve continuar rendendo repercussão nos próximos dias. Enquanto o presidente defende que o país precisa de uma política ambiental mais ampla, Flávio busca consolidar seu espaço no cenário eleitoral e apresentar uma alternativa política ao atual governo.