Lula desabafa após sabatina no JN: “Nunca me preparei tanto”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta sexta-feira (28/8), a entrevista concedida ao Jornal Nacional, da TV Globo, e revelou uma certa frustração com a forma como a sabatina foi conduzida. Segundo o petista, ele havia se preparado bastante para o encontro, chegando a decorar números, dados e informações sobre as ações realizadas durante seu governo. No entanto, afirmou que acabou não tendo a oportunidade de abordar vários dos assuntos que havia estudado.

Apesar da reclamação, Lula fez questão de dizer que não esperava receber perguntas fáceis ou feitas para favorecê-lo. O presidente afirmou que entende o papel dos jornalistas e que Renata Vasconcellos e César Tralli estavam cumprindo justamente a função de questionar os candidatos sobre assuntos considerados importantes.

“Eu não reclamo do comportamento dos jornalistas, porque eles estão lá para fazer as entrevistas de coisas que eles querem que seja feita, e não aquilo que eu quero”, declarou Lula.

Na avaliação do presidente, jornalistas não devem formular perguntas pensando em agradar os entrevistados. Para ele, a função de uma sabatina é justamente colocar os candidatos diante de questões que podem gerar dúvidas, provocar explicações ou até mesmo criar situações de confronto durante a conversa.

“Eu nunca espero que o jornalista faça uma pergunta para me agradar. Eles estão lá para fazer perguntas profissionalmente”, acrescentou.

Lula também destacou que a mesma postura teria sido adotada com os demais candidatos que participaram das entrevistas promovidas pelo Jornal Nacional. A fala ocorre em um momento de grande movimentação política, com a corrida eleitoral de 2026 ganhando cada vez mais espaço no debate público e os principais nomes buscando apresentar suas propostas e, ao mesmo tempo, responder às críticas.

A condução da entrevista, porém, provocou reação entre integrantes e apoiadores do PT. Uma das principais reclamações foi o tempo dedicado a perguntas relacionadas a familiares e pessoas próximas ao presidente.

Dos cerca de 50 minutos da sabatina, aproximadamente metade foi utilizada em questionamentos envolvendo aliados e integrantes da família de Lula. Entre os assuntos abordados estavam as investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.

Outro tema citado durante a entrevista envolveu suspeitas relacionadas a pagamentos atribuídos à lobista Roberta Luchsinger e ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola. O assunto entrou na lista de questões que exigiram respostas do presidente durante a sabatina.

Também apareceu na entrevista a relação do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, com o caso envolvendo o Banco Master. A instituição financeira se tornou um dos assuntos de destaque no cenário político e econômico recente, aumentando a pressão sobre nomes ligados ao governo.

A participação de Lula no Jornal Nacional acabou, assim, dividindo opiniões. Enquanto aliados criticaram a escolha dos temas e consideraram que o presidente poderia ter tido mais espaço para falar sobre sua administração, o próprio petista adotou um tom mais ponderado ao comentar a postura dos jornalistas.

Mesmo dizendo que havia se preparado como nunca para a entrevista, Lula reconheceu que uma sabatina não é totalmente controlável pelo entrevistado. Para o presidente, cabe aos jornalistas escolher os assuntos e aos candidatos responderem da melhor maneira possível às perguntas apresentadas.



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