Mourão declara apoio a projeto de Lula e faz forte desabafo: “Vão me chamar de traidor”

Hamilton Mourão, senador pelo Republicanos do Rio Grande do Sul e ex-vice-presidente durante o governo de Jair Bolsonaro, confirmou que teve uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia do Dia do Soldado, realizada em Brasília. O assunto tratado entre os dois acabou chamando atenção no meio político, principalmente pelo histórico de Mourão com o antigo governo.

Segundo o senador, Lula pediu apoio para a tramitação no Senado do projeto de lei que trata dos chamados minerais críticos e estratégicos. Mourão afirmou que recebeu o pedido e respondeu de forma positiva. Para ele, a proposta tem importância e merece ser analisada pelos senadores.

“O PR (Presidente da República) falou comigo sobre o projeto dos minerais críticos, pedindo apoio do Senado. Só isso”, explicou Mourão ao conversar com jornalistas depois da cerimônia. Na sequência, ele confirmou que pretende apoiar a iniciativa apresentada pelo governo.

“Falei para ele que a iniciativa tem o meu apoio”, declarou o general, deixando claro que não pretende criar dificuldade para a votação do texto. A posição, no entanto, pode gerar repercussão entre políticos e eleitores mais próximos do bolsonarismo, já que Mourão foi uma das principais figuras do governo Bolsonaro entre 2019 e 2022.

O projeto já passou pela Câmara dos Deputados em maio e agora aguarda a análise do Senado. A proposta cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com medidas voltadas para pesquisa, exploração, extração e transformação desses recursos no Brasil.

Na prática, o governo vê os minerais como peças importantes para setores que estão ganhando cada vez mais espaço no mundo. Entre eles estão a transição energética, produção de novas tecnologias e também questões relacionadas à segurança nacional. Com a disputa internacional por matérias-primas importantes, países tentam garantir o acesso a esses materiais e o Brasil possui reservas consideradas relevantes.

Outro ponto previsto no projeto é a criação de um Conselho Nacional responsável por validar contratos e parcerias internacionais envolvendo os minerais considerados estratégicos. A intenção é aumentar o controle sobre acordos e investimentos nessa área.

Apesar de declarar apoio ao projeto, Mourão parece já esperar críticas de pessoas ligadas ao antigo governo. O senador brincou, inclusive, com a possibilidade de ser chamado de traidor por apoiar uma proposta defendida pela administração Lula.

“Certamente vão pegar no meu pé. Hoje em dia, se o cara não está preso, já é considerado traidor…”, comentou o parlamentar ao jornal O Globo. A frase foi dita em tom de ironia, mas mostra como o ambiente político brasileiro continua bastante dividido.

A conversa entre Lula e Mourão aconteceu de maneira rápida e, segundo o próprio senador, ficou restrita ao projeto dos minerais críticos. Não houve, pelo menos de acordo com o relato dele, qualquer negociação política mais ampla entre os dois.

Mesmo assim, o episódio chama atenção por colocar lado a lado dois nomes que estiveram em campos políticos completamente diferentes nos últimos anos. Mourão, que chegou ao cargo de vice-presidente na chapa de Bolsonaro, agora demonstra disposição para colaborar com uma pauta do atual governo.

A expectativa agora é que o projeto avance no Senado e entre na pauta de votação. A discussão deverá envolver interesses econômicos, ambientais e também estratégicos. E, no meio de tanta disputa política, o apoio de Mourão pode acabar sendo mais comentado do que o próprio conteúdo da proposta.



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