Gleisi Hoffmann solta o verbo e mete o dedo: “Santo ruim”

A saúde aparece como um dos principais pontos da campanha de Gleisi Hoffmann, candidata ao Senado pelo Paraná. Em entrevista à Tribuna do Norte e ao TNOnline, a política apresentou propostas voltadas principalmente para o atendimento médico, combate ao câncer, defesa das mulheres e também para uma tentativa de recuperar, segundo ela, o protagonismo político do estado em Brasília.

Entre as ideias defendidas por Gleisi está a ampliação das chamadas carretas de atendimento especializado, levando consultas e exames para diferentes regiões do Paraná. A intenção é facilitar o acesso de pessoas que moram longe dos grandes centros e acabam encontrando dificuldades para conseguir atendimento pelo sistema público de saúde.

A candidata também fala em mais investimentos nos hospitais e em ações específicas de prevenção e tratamento do câncer. Para ela, não basta concentrar os serviços de saúde nas cidades maiores. É preciso fazer com que a população do interior tenha acesso a médicos e tratamentos de qualidade sem precisar viajar longas distâncias.

Outra proposta apresentada é a ampliação dos cursos de Medicina em municípios do interior, citando Apucarana como exemplo. Gleisi avalia que formar profissionais nessas regiões pode ajudar a manter os médicos próximos da população depois da graduação. A medida, segundo ela, também poderia melhorar a atenção básica e diminuir a falta de profissionais em algumas cidades.

A defesa das mulheres também ocupa espaço importante em seu discurso. Gleisi lembra que foi a primeira senadora eleita pelo Paraná e afirma que ainda existe uma necessidade grande de aumentar a presença feminina no Senado. Na avaliação dela, quando as mulheres participam mais da política, temas como violência doméstica, feminicídio e proteção social ganham maior atenção.

Durante a entrevista, a candidata também fez críticas à atual bancada paranaense no Congresso. Ela entende que o Paraná perdeu força nas discussões políticas e econômicas em Brasília e pretende recuperar uma articulação que, na visão dela, existia em períodos anteriores.

Gleisi cita como exemplos de sua atuação projetos e medidas relacionados às mulheres, ao serviço público e ao fim dos chamados 14º e 15º salários de parlamentares. Também relembra a participação na criação da Lei do Feminicídio, uma das medidas que costuma destacar ao falar sobre seu histórico político.

Apesar da forte polarização política que existe no Brasil, a petista afirma que pretende conversar com diferentes setores. Porém, faz uma ressalva para grupos que considera radicais. “Claro que tem o setor radical, aí não adianta querer conversar”, afirmou. Em seguida, lembrou uma frase atribuída à sua avó para explicar que não vale insistir em um diálogo quando o outro lado não demonstra disposição.

No campo econômico, Gleisi também procura se aproximar do agronegócio. Ela declarou apoio tanto aos grandes produtores quanto à agricultura familiar, defendendo medidas como crédito, assistência técnica e programas de compras públicas. A ideia é apresentar uma política que, segundo ela, contemple diferentes realidades existentes no campo paranaense.

Sobre o perfil político do estado, Gleisi discorda da avaliação de que o Paraná seja simplesmente conservador e que isso impediria uma candidatura do PT. Ela lembra que já foi eleita senadora pelo estado mesmo pertencendo ao partido e cita outros mandatos petistas como exemplo de que existe espaço para diferentes correntes políticas.

“Eu já fui senadora nesse Estado conservador e sempre fui do PT”, declarou. Para Gleisi, a questão não deveria ser apenas uma disputa entre rótulos de direita ou esquerda. Ela afirma que possui suas ideias e valores, mas também procura respeitar as opiniões de quem pensa diferente.

Formada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e com especialização em Gestão de Organizações Públicas e Administração Financeira, Gleisi tenta apresentar sua candidatura como uma combinação de experiência política, defesa das mulheres e propostas para melhorar serviços públicos no Paraná. A disputa pelo Senado ainda deve ganhar novos capítulos até as eleições, e a saúde promete continuar sendo um dos assuntos mais explorados durante sua campanha.



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