A Coragem de Yalda Moaiery: Uma Fotojornalista em Luta Contra o Regime Iraniano
“Não se esqueçam de mim.” Essas palavras ecoam como um grito de desespero e esperança da fotojornalista iraniana Yalda Moaiery, que dedicou mais de 20 anos de sua vida a documentar a realidade sob o regime do Irã. Sua trajetória inclui relatos sobre a repressão violenta aos protestos de janeiro, o conflito com os Estados Unidos e a contínua onda de repressão que se abate sobre o país.
Recentemente, Moaiery se tornou alvo de um sistema judicial opressivo, sendo condenada a 15 anos de prisão sob a alegação de realizar “atividades em prol dos interesses do regime sionista contra a segurança nacional”. Apesar dessa sentença severa, ela anunciou que não desistirá e pretende recorrer da decisão.
O Estado de Emergência no Irã
O cenário atual no Irã é alarmante. Ativistas e organizações de direitos humanos relatam a execução de jovens supostamente envolvidos em protestos, e dados recentes mostram um aumento nas execuções de prisioneiros políticos. Moaiery, mesmo estando à beira de uma longa sentença, afirma que continuará a registrar os acontecimentos enquanto houver alguma possibilidade de fazê-lo. “Não estou disposta a trabalhar inserida nessa estrutura de propaganda”, ressaltou, enfatizando a gravidade da situação.
Um Testemunho de Coragem
Durante uma de suas entrevistas, Moaiery compartilhou uma visão rara sobre a dimensão dos protestos que tomaram conta do país. “Nunca vi uma multidão assim em 25 anos como fotojornalista”, disse, descrevendo a presença massiva de pessoas nas ruas, incluindo famílias inteiras. Essa união popular, no entanto, foi brutalmente reprimida, resultando em milhares de mortes, de acordo com estimativas de grupos de direitos humanos. “Foi um dos momentos mais tristes da nossa história”, lamentou.
A Mudança de Sentimento
Com a escalada do conflito entre os EUA e Israel, Moaiery voltou a ser entrevistada. Embora muitos iranianos inicialmente vissem a guerra como uma oportunidade de derrubar o regime, essa perspectiva mudou com o tempo. “Não, de jeito nenhum”, disse ela, refletindo sobre a falta de esperança que agora permeia o país. “A verdadeira guerra é aqui. A verdadeira guerra, neste momento, é a economia.”
O Fortalecimento do Regime
Ela observou que a guerra, em vez de enfraquecer o regime, o fortaleceu. “Estamos diante… da pior versão da República Islâmica que já vi”, declarou, expressando sua preocupação com o futuro. Esse novo regime, segundo ela, é mais severo e implacável do que nunca.
Desafios Pessoais
Enquanto conversávamos, Moaiery revelou que, horas antes da nossa entrevista, recebeu ameaças das autoridades iranianas. “Eles disseram que se eu voltasse a falar com a imprensa internacional, iriam invadir minha casa novamente”, contou, demonstrando a pressão constante que enfrenta. No entanto, sua determinação não flutua. “Não me importo. Esse é o risco que aceitei correr durante toda a minha vida”, afirmou com firmeza.
A Importância da Visibilidade
Para Moaiery, a visibilidade de sua situação é crucial. “Como jornalista independente, não temos armas. Temos apenas a mídia e a verdade”, disse, ressaltando a importância de contar sua história e a de outros jornalistas que enfrentam regimes autoritários. “Isso ajudará outros jornalistas ao redor do mundo que vivem sob regimes autoritários”, acrescentou, transmitindo uma mensagem de esperança e solidariedade.
Um Apelo à Memória
Ao finalizar nossa conversa, Yalda Moaiery deixou um apelo poderoso: “Não se esqueçam de mim.” Ao ouvir essas palavras, eu respondi: “Não vamos nos esquecer de você.” É essencial que a luta de Moaiery e de tantos outros não seja esquecida, mas sim lembrada e apoiada.