Médica que tirou a vida de seus três filhos fez pesquisas macabras antes nas redes sociais

Semanas antes da morte dos três filhos, Lindsay Clancy fez uma série de pesquisas na internet que agora estão sendo analisadas durante o julgamento por assassinato. Os registros encontrados no celular da ex-enfermeira obstétrica mostram buscas relacionadas a alucinações, psicose, transtorno bipolar, insônia e possíveis efeitos colaterais dos medicamentos que ela usava.

As informações foram apresentadas nesta quinta-feira (13), durante uma audiência que tem chamado bastante atenção nos Estados Unidos. De acordo com os dados analisados, no fim de dezembro de 2022, poucas semanas antes da tragédia, Clancy pesquisou sobre métodos de suicídio, transtorno bipolar e também sobre problemas relacionados ao sono.

Já em janeiro de 2023, as pesquisas mudaram de foco. Ela passou a procurar informações sobre depressão pós-parto e outros assuntos ligados à saúde mental. Para a defesa, esses registros ajudam a mostrar que Lindsay enfrentava um quadro psicológico muito complicado no período que antecedeu a morte dos filhos.

Outro detalhe apresentado no julgamento foi um bilhete escrito por ela em outubro de 2022. No texto, Lindsay falava sobre suas dúvidas e preocupações como mãe. Ela questionava algumas decisões que havia tomado e demonstrava preocupação principalmente com o filho mais novo, que tinha apenas oito meses naquela época.

A mulher também escreveu sobre o fato de ter parado de amamentar o bebê e chegou a repensar os planos que ela e o marido tinham de aumentar a família. O casal já tinha três crianças: Callan, Dawson e Cora.

Segundo a defesa, Lindsay sofria de transtorno bipolar e psicose pós-parto. Um psiquiatra forense chegou a fazer esse diagnóstico depois dos assassinatos. A psicose pós-parto é uma condição rara e grave, que pode fazer com que a pessoa tenha dificuldade para diferenciar pensamentos e percepções da realidade.

No dia 24 de janeiro de 2023, Patrick Clancy, marido de Lindsay na época, encontrou os três filhos no porão da casa da família, em Duxbury, cidade localizada ao sul de Boston. As crianças haviam sido estranguladas com faixas elásticas de exercício.

Lindsay foi encontrada no quintal da residência depois de cair de uma janela do segundo andar. A queda provocou lesões graves e deixou a mulher paraplégica.

Durante o julgamento, também foram apresentadas mensagens trocadas entre Lindsay e Patrick no próprio dia da tragédia. As conversas mostram uma rotina aparentemente comum de um casal com filhos pequenos. Em determinado momento, Patrick elogiou Lindsay como mãe, e ela respondeu usando emojis.

Para a defesa, esses detalhes fazem parte de um contexto maior. Os advogados não negam que Lindsay tenha matado as crianças, mas afirmam que ela não tinha condições mentais de compreender completamente o que estava fazendo. A alegação é de que ela teria ouvido vozes que mandavam matar os filhos e depois tirar a própria vida.

A promotoria, porém, apresenta uma versão bem diferente. Os promotores afirmam que houve planejamento e que Lindsay teria criado uma situação para deixar o marido fora de casa. Segundo essa versão, Patrick foi enviado para comprar comida e passar em uma farmácia pouco antes dos assassinatos.

A promotora Shanan Buckingham também pediu aos jurados que não transformassem o caso em uma discussão geral sobre saúde mental feminina. Para a acusação, é preciso analisar especificamente as atitudes tomadas por Lindsay naquele dia.

O julgamento tem atraído jornalistas e espectadores, com o tribunal recebendo grande movimentação. A possibilidade de uma condenação também é pesada. Se for considerada culpada pelos assassinatos, Lindsay poderá receber prisão perpétua sem direito à liberdade condicional.

Por outro lado, caso os jurados entendam que ela não pode ser responsabilizada criminalmente por causa de uma doença mental, a consequência será diferente. Nesse cenário, ela poderá ser internada em uma instituição psiquiátrica estadual.

A defesa insiste ainda que Lindsay tentou buscar ajuda antes da tragédia. Segundo os advogados, ela procurou diferentes profissionais de saúde mental, experimentou medicamentos prescritos, ligou para uma linha de apoio em momentos de crise e chegou a procurar atendimento em um pronto-socorro.

Ela também teria tentado conseguir uma vaga em um programa hospitalar intensivo voltado para mulheres com problemas psiquiátricos após o parto. Sem conseguir a vaga, Lindsay chegou a se internar voluntariamente em uma clínica psiquiátrica por alguns dias.

O caso continua sendo acompanhado de perto nos Estados Unidos justamente pela complexidade dos fatos. De um lado está a morte de três crianças pequenas. Do outro, a discussão sobre até onde uma doença mental pode interferir na responsabilidade de uma pessoa diante de um crime tão grave. O júri agora terá a difícil tarefa de avaliar todas essas informações antes de tomar uma decisão.



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