O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, dia 14, que não pretende interferir nas investigações envolvendo seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Durante entrevistas aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, o presidente disse que apoia o andamento das apurações feitas pela Polícia Federal e que, inclusive, orientou os advogados a não tentarem encerrar os processos.
Segundo Lula, a orientação dada à defesa foi para que o caso siga seu caminho normal, sem qualquer tentativa de impedir a investigação. O presidente afirmou que confia no filho, mas também deixou claro que, caso exista alguma irregularidade comprovada, ele deverá responder por seus atos como qualquer outra pessoa.
“Meu filho sabe o que passei na vida”, declarou Lula ao falar sobre o assunto. O presidente contou que Lulinha conhece as dificuldades enfrentadas pela família durante os anos em que ele esteve envolvido em processos judiciais e também acompanhou de perto os impactos que a Operação Lava Jato provocou na família.
Lula afirmou ainda que o filho garante não ter cometido nenhuma irregularidade. Mesmo acreditando na versão apresentada por Lulinha, o presidente disse que prefere que as investigações continuem. Para ele, se não existe culpa, o caminho é apresentar a defesa e provar a inocência.
O presidente chegou a comparar a situação com a própria experiência na Justiça. Lula lembrou que passou 580 dias preso e afirmou que, naquele período, precisou enfrentar as acusações e lutar juridicamente para provar sua versão dos fatos.
“Se é inocente, vá à luta. Se é culpado, contrate advogado”, disse Lula, resumindo a maneira como acredita que o filho deve lidar com o caso. Ele também declarou estar tranquilo e afirmou viver, atualmente, um dos momentos mais completos de sua trajetória.
Essa não foi a primeira vez que Lula adotou esse discurso. No fim de julho, durante uma participação no podcast Inteligência Ltda., o presidente já havia afirmado que Lulinha deveria ser tratado como qualquer outro cidadão. Na ocasião, destacou que não utilizaria a posição de presidente da República para procurar juízes, delegados ou outras autoridades com o objetivo de beneficiar o filho.
A declaração acontece em um momento em que questões envolvendo familiares de políticos costumam ganhar ainda mais atenção, principalmente com a proximidade do calendário eleitoral de 2026. Lula também afirmou que o nome de Lulinha já foi usado em diferentes momentos como uma espécie de instrumento de desgaste político.
Segundo o presidente, acusações feitas contra seu filho em períodos eleitorais anteriores não acabaram sendo comprovadas. Por isso, ele disse acreditar que é necessário separar a disputa política das investigações realizadas pelas instituições.
Apesar de defender o direito de Lulinha se defender, Lula reforçou que não pretende pedir o encerramento das apurações. A posição apresentada pelo presidente é de que a Polícia Federal deve continuar trabalhando sem interferência e que eventuais decisões deverão ser tomadas pelas autoridades responsáveis.
Ao longo da entrevista, Lula também demonstrou confiança no filho. Ao mesmo tempo, fez questão de dizer que não conhece todos os detalhes do caso e que somente Lulinha sabe exatamente o que aconteceu. A declaração mostra uma tentativa do presidente de manter distância das investigações, mesmo tratando-se de uma pessoa de sua própria família.
O assunto deve continuar provocando repercussão política nos próximos dias. Em um cenário de disputas cada vez mais acirradas, qualquer investigação envolvendo pessoas próximas ao presidente acaba recebendo atenção de aliados e adversários.
Lula, porém, deixou uma mensagem clara: se houver provas de alguma irregularidade, o filho terá de responder por isso. Se não houver, caberá à defesa enfrentar as acusações e demonstrar sua inocência dentro da Justiça. Para o presidente, o mais importante neste momento é que o processo siga seu curso, sem privilégios ou interferências políticas.