Criminosos adaptam técnicas da Guerra da Ucrânia ao uso de drones no Rio

Drones Armados: A Nova Realidade do Crime Organizado no Rio de Janeiro

Na última terça-feira, um incidente chocante ocorreu no Morro do Sereno, localizado no Complexo da Penha, Rio de Janeiro. Uma casa foi atingida por um artefato explosivo, supostamente lançado por um drone durante uma intensa disputa entre facções criminosas, especificamente o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Essa situação levanta um alerta sobre uma nova fase da criminalidade no estado, onde a tecnologia de drones está sendo utilizada como uma ferramenta de ataque.

O Crescente Uso de Drones no Crime

Esse episódio não é isolado. De acordo com dados de um levantamento exclusivo, desde o surgimento do uso de drones para lançamentos de explosivos há cerca de dois anos, as organizações criminosas têm demonstrado um notável aprimoramento nas técnicas de ataque. O primeiro caso documentado ocorreu em julho de 2024, na Favela do Quitungo, em Brás de Pina, onde uma bomba caseira foi lançada durante um confronto entre facções. O Esquadrão Antibomba da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) confirmou que o artefato era artesanal, sem qualquer indício de produção industrial.

Menos de um ano depois, uma nova ocorrência foi registrada na Favela do Morro do Fubá, onde novamente um drone foi utilizado para lançar uma bomba durante um confronto. Nessa ocasião, as autoridades notaram uma evolução no design da granada, que se tornou mais eficaz para ser lançada por drones, aumentando a sua capacidade de detonação.

Casos Alarmantes

Em junho de 2025, um evento ainda mais preocupante ocorreu quando explosivos foram lançados em uma praça cheia de crianças em Madureira. Graças à sorte, ninguém se feriu. A investigação revelou que os explosivos eram feitos com perclorato, uma substância comum na fabricação de fogos de artifício, e continham pregos, aumentando a letalidade do ataque.

  • Nos últimos dois anos, o Esquadrão Antibomba da CORE já foi acionado em 11 ocasiões por incidentes envolvendo drones.
  • Os alvos variaram de casas de moradores a instituições como igrejas e creches.
  • Em uma das apreensões recentes, as investigações indicaram que os artefatos eram cada vez mais sofisticados, com técnicas que aumentavam o potencial explosivo.

Impacto nas Comunidades e Medidas de Segurança

Recentemente, duas crianças ficaram feridas por estilhaços de uma bomba durante uma festa em Cordovil, o que provocou uma onda de preocupação entre os moradores. É importante ressaltar que muitos desses eventos podem não ser registrados oficialmente, levando a uma subnotificação das ocorrências. A Polícia Civil do Rio de Janeiro está investigando se criminosos têm viajado para o Leste Europeu, possivelmente para adquirir conhecimento sobre técnicas de guerra contemporâneas, como foi o caso do traficante Philipe Marques Pinto, que apareceu em um vídeo com um fuzil AK-47 durante a Guerra da Ucrânia.

O Que Dizem os Especialistas

O delegado Fabricio Oliveira, que lidera a CORE, expressou preocupações sobre o uso crescente de drones armados. Ele mencionou que a Operação Contenção, que envolveu 2500 agentes, revelou uma estratégia organizada por criminosos para emboscar policiais. “A utilização de drones para ataques precisa ser discutida como uma alternativa tática”, afirmou Oliveira. Ele também destacou que as influências de conflitos internacionais, especialmente a Guerra da Ucrânia, estão agora moldando a realidade do crime no Rio.

Desafios e Soluções Futuras

De acordo com Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a transição para o uso aéreo de explosivos representa um desafio significativo para as autoridades. As facções não só projetam sua força além das barreiras físicas, mas também reduzem a exposição direta ao confronto armado. A resposta, segundo Uchôa, deve se concentrar na inteligência estrutural, visando desarticular as redes de suprimento e identificar especialistas na fabricação de explosivos. Além disso, é necessário desenvolver tecnologias antidrone que possam proteger efetivamente as áreas em risco.

Em conclusão, a situação atual no Rio de Janeiro exige uma resposta rápida e eficaz das autoridades. O uso de drones armados pelos criminosos não é apenas uma evolução tecnológica, mas também um reflexo das táticas de guerra contemporâneas. Portanto, é fundamental que a sociedade e as forças de segurança se unam para enfrentar essa nova realidade e garantir a segurança da população.



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