PMs acusados de morte de jovem rendido em Paraisópolis vão a júri em SP

Júri Popular de Policiais Envolvidos em Morte de Jovem em São Paulo Começa Hoje

Na manhã desta terça-feira, dia 28, teve início o aguardado júri popular que envolve os policiais militares Renato Torquatto e Robson Noguchi, que são acusados de terem matado o jovem Igor Oliveira de Moraes Santos, de apenas 24 anos. O crime ocorreu em 10 de julho de 2025, na comunidade de Paraisópolis, localizada na zona Sul da capital paulista.

O julgamento foi agendado para começar às 10h30 no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona Oeste de São Paulo. Os policiais enfrentam acusações de homicídio qualificado em decorrência da morte do jovem durante uma operação policial que estava em andamento na comunidade.

Contexto do Caso

Além de Torquatto e Noguchi, outros dois policiais, Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, também participaram da ação e são réus no mesmo processo. No entanto, o julgamento deles ainda não tem uma data definida, pois o caso foi desmembrado, e os júris ocorrerão de maneira separada.

O caso começou a ganhar notoriedade devido às circunstâncias em que a morte de Igor ocorreu. Segundo a denúncia apresentada, os policiais estavam em uma perseguição a indivíduos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Esses suspeitos se refugiaram em um quarto dentro de uma residência. Os policiais alegaram que os suspeitos estariam armados e, ao encontrá-los escondidos atrás de uma cama, deram a ordem para que levantassem as mãos.

Detalhes do Incidente

De acordo com a promotoria, mesmo com a rendição dos suspeitos, que incluía Igor, Renato Torquatto disparou contra ele enquanto o jovem estava com as mãos levantadas. Após isso, Robson Noguchi também disparou, atingindo Igor com um tiro de espingarda. A situação se agravou ainda mais pelo fato de que, mesmo sendo os disparos fatais realizados por Torquatto e Noguchi, Hugo e Victor foram denunciados pelo mesmo crime. A justiça argumenta que eles também contribuíram para a prática do crime, oferecendo apoio moral e material aos executores.

Testemunhas que estavam presentes relataram que os policiais entraram no cômodo gritando e perguntando se Igor tinha antecedentes criminais. Quando Igor negou, os policiais ordenaram que ele se levantasse. No instante em que ele estava de pé, com as mãos levantadas, os disparos foram efetuados.

Testemunhos e Laudos Periciais

Em um depoimento, uma testemunha afirmou categoricamente que não havia nenhuma arma ou droga no local no momento da abordagem. Além disso, um laudo pericial realizado em setembro do ano passado confirmou que o policial Renato Torquatto foi o responsável pelos disparos que resultaram na morte de Igor Oliveira.

Os advogados da família de Igor, Jonatha Carvalho Matos e Gabriela Amoras Silva, têm trabalhado incansavelmente em busca de justiça. Eles ressaltam que Igor não ofereceu nenhum risco para ser alvo dos disparos. Em uma nota, enfatizaram a gravidade da situação: “Estamos buscando justiça, já que esse evento devastou não só a comunidade, mas também a vida dos familiares. Igor não representou uma ameaça para receber tais disparos”. A defesa dos policiais, por outro lado, argumenta que um dos suspeitos fez menção de sacar uma arma, o que justificaria a ação dos policiais.

Posição da Defesa

Nos autos do processo, a defesa de Renato e Hugo solicitou uma absolvição sumária, fundamentando sua defesa em legítima defesa. Os advogados de Robson e Victor Henrique apresentaram um pedido similar. Em entrevista à CNN Brasil, o advogado de Robson e Victor, que ainda se encontram detidos, comentou que as câmeras corporais não capturaram a realidade do ocorrido. “A defesa pretende demonstrar aos jurados a legalidade da ação policial, uma vez que as gravações não refletem a situação real”, disse ele.

Esse caso levanta questões importantes sobre a atuação policial e os direitos dos cidadãos, além de trazer à tona discussões sobre a segurança pública e a responsabilidade dos agentes da lei. A sociedade acompanha atentamente cada passo do julgamento, na esperança de que a verdade prevaleça e que justiça seja feita.



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