O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), voltou a defender mudanças mais rígidas no combate à violência contra a mulher. Durante um encontro estadual do partido realizado neste sábado (18), no Espírito Santo, o parlamentar afirmou que apenas a legislação atual não é suficiente para garantir a proteção das vítimas. Em um dos trechos mais comentados do discurso, ele declarou que a Lei Maria da Penha, sozinha, “é um pedaço de papel” e que o que realmente pode proteger as mulheres é a punição mais severa contra os agressores.
Segundo Flávio, um eventual governo comandado por ele adotaria medidas para endurecer as penas aplicadas em casos de violência doméstica. O senador afirmou que criminosos desse tipo deveriam permanecer presos por mais tempo e criticou a possibilidade de soltura em audiências de custódia. Para ele, a sensação de impunidade incentiva a repetição desses crimes e precisa ser combatida com ações mais firmes.
Durante o evento, o parlamentar também fez elogios ao ex-prefeito de Vitória e pré-candidato ao governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Flávio afirmou que iniciativas implementadas por Pazolini durante sua gestão municipal servem como exemplo de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Segundo ele, esse modelo poderia ser ampliado para outros estados e até mesmo em nível nacional.
Em sua fala, o senador reforçou que a prioridade deve ser retirar criminosos das ruas e garantir que eles cumpram penas mais longas. Para Flávio Bolsonaro, fortalecer a atuação das forças de segurança e reduzir a possibilidade de benefícios para condenados seria uma forma mais eficiente de enfrentar a violência doméstica do que depender apenas da legislação existente.
As declarações acontecem em um momento em que o pré-candidato busca ampliar o diálogo com o eleitorado feminino. Nas últimas semanas, Flávio intensificou a divulgação de propostas direcionadas às mulheres e passou a destacar esse tema em seus compromissos de campanha. O movimento ocorre após um período de desgaste envolvendo um conflito familiar que ganhou repercussão nacional.
Em junho, Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que foi humilhada e maltratada pelo enteado. A manifestação gerou grande repercussão política e aumentou as especulações sobre possíveis impactos na imagem do senador durante a pré-campanha para as eleições de 2026.
Na sexta-feira (17), um dia antes do encontro no Espírito Santo, Flávio apresentou o programa chamado “Brasil por Elas”. A iniciativa reúne propostas voltadas ao público feminino e faz parte da estratégia de campanha para ampliar sua presença entre as mulheres. Entre as medidas anunciadas está a distribuição de celulares para mulheres de baixa renda, apresentada como uma ferramenta para facilitar pedidos de ajuda em situações de emergência e ampliar o acesso a serviços públicos.
O lançamento do programa contou com a participação de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro. Ela é apontada como uma das principais cotadas para compor a chapa presidencial como candidata a vice. Durante a transmissão, ambos defenderam políticas de segurança, proteção social e incentivo à autonomia feminina.
Com isso, Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua pré-candidatura apresentando propostas voltadas à segurança pública e à proteção das mulheres, enquanto busca ampliar sua base eleitoral para a disputa presidencial de 2026. As declarações feitas no evento do PL no Espírito Santo devem continuar repercutindo nos próximos dias, principalmente pelo debate em torno da Lei Maria da Penha e das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica.