A Polícia Federal realizou, na manhã desta quinta-feira (2), mais uma etapa da Operação Unha e Carne e acabou prendendo o pastor Márcio Poncio. A ação faz parte da quinta fase da investigação, que tenta desmontar um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Além disso, os investigadores também apuram se havia ligações do grupo com pessoas que ocupam cargos nos poderes Executivo e Legislativo do estado.
Outro alvo importante da operação é o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Segundo a Polícia Federal, ele seria o principal líder da organização criminosa investigada e apontado como o “capo” do esquema. Também aparece entre os investigados o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Os dois já estavam presos antes da nova fase da operação, mas a situação de Bacellar deve mudar. A expectativa é que ele seja transferido do Complexo Penitenciário de Bangu para uma unidade do sistema prisional federal, onde as regras de segurança são bem mais rígidas.
Márcio Poncio foi localizado e preso em um flat na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Conforme informações divulgadas pelo g1, os investigadores suspeitam que o pastor tenha mantido relação com a chamada “máfia do cigarro”, grupo que também está no centro das investigações. Adilsinho é apontado como um dos principais nomes dessa organização, que já vinha sendo monitorada pelas autoridades há algum tempo.
Toda a operação desta quinta recebeu autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Além dos mandados de prisão, a Polícia Federal também cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados aos investigados. Outra medida determinada pela Justiça foi o bloqueio e o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões, quantia que, segundo a investigação, teria ligação com as atividades criminosas.
Os agentes acreditam que o dinheiro movimentado pelo grupo era lavado por meio de empresas, pessoas e outras operações financeiras feitas para esconder a verdadeira origem dos recursos. Essa prática é bastante comum em organizações criminosas que movimentam grandes quantias em dinheiro e tentam dificultar o trabalho das autoridades.
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 e, desde então, vem revelando novos detalhes sobre um possível esquema de corrupção e vazamento de informações sigilosas. Na primeira fase da investigação, o foco era descobrir como dados confidenciais sobre operações policiais acabavam chegando às mãos de integrantes do Comando Vermelho (CV).
De acordo com a Polícia Federal, essas informações antecipadas prejudicavam diretamente o trabalho das forças de segurança. Em alguns casos, suspeitos conseguiam fugir antes da chegada da polícia ou até destruir documentos e outros materiais que poderiam servir como prova durante as investigações. Isso acabou levantando suspeitas de que havia pessoas dentro da estrutura pública colaborando com o grupo criminoso.
Foi justamente nessa primeira etapa da operação que Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), acabou preso pela primeira vez. As investigações indicam que ele teria participado do vazamento de informações consideradas estratégicas para uma operação policial. A suspeita é que esses dados permitiram que investigados escondessem provas importantes antes das ações da polícia.
Agora, com a quinta fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal tenta aprofundar ainda mais as conexões entre integrantes da organização criminosa e pessoas influentes no cenário político e empresarial do Rio de Janeiro. As investigações continuam em andamento, e novas medidas não estão descartadas caso apareçam outras provas ou novos envolvidos no esquema.