Em meio à guerra entre Flávio e Michelle, Bolsonaro sofre piora na saúde e acende alerta

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que continua cumprindo prisão domiciliar, apresentou uma piora no estado de saúde durante esta semana. A informação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (26), por meio do relatório médico semanal anexado pela defesa.

O documento foi assinado pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado e aponta que Bolsonaro teve alguns picos de pressão alta ao longo dos últimos dias. Segundo o médico, a situação precisou ser controlada com doses extras dos medicamentos que ele já utiliza regularmente.

De acordo com o relatório, apesar desses episódios de hipertensão moderada, os exames do coração permaneceram dentro da normalidade. Já nos pulmões, os médicos identificaram uma alteração residual na base do pulmão esquerdo, algo que segue sendo acompanhado pela equipe responsável.

A divulgação do boletim médico acontece justamente em um momento delicado para o ex-presidente, tanto na área da saúde quanto no cenário político. Nos últimos dias, uma crise envolvendo integrantes da própria família Bolsonaro ganhou bastante repercussão nas redes sociais.

Michelle Bolsonaro publicou um vídeo fazendo críticas ao senador Flávio Bolsonaro. Sem citar todos os detalhes da disputa, a ex-primeira-dama afirmou ter sido alvo de atitudes machistas, declaração que acabou aumentando ainda mais os rumores sobre um desgaste interno entre aliados do grupo político. O episódio repercutiu bastante nos bastidores da direita e chamou atenção justamente em um período de movimentações pensando nas eleições presidenciais.

Enquanto enfrenta esse desgaste político, Bolsonaro também acompanha de perto uma nova questão jurídica que pode complicar sua situação. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um episódio envolvendo uma arma registrada em nome do ex-presidente.

A decisão poderá influenciar diretamente na manutenção da prisão domiciliar. Dependendo da avaliação da PGR e posteriormente do Supremo, existe a possibilidade de Bolsonaro voltar ao sistema prisional.

O caso começou depois que uma pistola Glock calibre 9 milímetros foi encontrada durante uma blitz realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal. A arma estava dentro do veículo utilizado por um militar responsável pela segurança do ex-presidente.

Segundo informações da investigação, a pistola foi apreendida porque o certificado de registro não acompanhava o armamento no momento da abordagem. Posteriormente, Bolsonaro confirmou às autoridades que a arma realmente pertence a ele.

Em depoimento prestado à Polícia Civil do Distrito Federal, o ex-presidente explicou que a pistola permanecia em sua residência durante o período em que cumpre prisão domiciliar. Ainda segundo o documento encaminhado ao STF, Bolsonaro afirmou que não poderia permanecer totalmente desarmado porque, segundo ele, havia “três mulheres em casa”, justificando a necessidade do armamento.

O depoimento aconteceu dentro do condomínio onde Bolsonaro mora e foi conduzido pelo delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia. A conversa durou cerca de 40 minutos. A Polícia Civil informou que todas as perguntas foram respondidas, mas ressaltou que o conteúdo completo permanece sob sigilo.

Durante a oitiva, Bolsonaro esteve acompanhado pelo advogado Paulo Cunha Bueno. A defesa sustenta que o ex-presidente apenas solicitou a um integrante da equipe de segurança que verificasse se a arma apresentava algum defeito de funcionamento. Os advogados também negam que tenha existido qualquer determinação para retirar a pistola da residência com o objetivo de realizar manutenção.

Outro argumento apresentado pela defesa é que nenhuma das medidas cautelares impostas pelo STF obrigava Bolsonaro a entregar as armas registradas em seu nome. Por isso, os advogados acreditam que o episódio dificilmente seria suficiente para justificar uma mudança no regime de prisão domiciliar.

A arma apreendida estava com um militar ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão que atualmente atua vinculado à Casa Civil e é responsável pela proteção de ex-presidentes da República.

Mesmo assim, especialistas em Direito avaliam que o episódio ainda poderá gerar consequências. Entre as possibilidades analisadas estão sanções administrativas e eventuais questionamentos com base no Estatuto do Desarmamento, dependendo do resultado final das investigações. Agora, a expectativa fica pela manifestação da Procuradoria-Geral da República e pela decisão que será tomada pelo ministro Alexandre de Moraes nos próximos dias.



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