Mendonça bate o martelo e manda Daniel Vorcaro para a Papudinha em até 24 horas

A situação do banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (25). O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que ele seja transferido da Superintendência da Polícia Federal para a unidade conhecida como Papudinha, localizada no Distrito Federal. A decisão acontece em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes no sistema financeiro.

Vorcaro estava detido nas dependências da Polícia Federal desde março deste ano. Agora, com a nova determinação do relator do chamado caso Master no STF, ele deverá ser encaminhado para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal em até 24 horas. O pedido para a mudança do local de custódia partiu da própria Polícia Federal e acabou sendo acolhido pelo magistrado.

A decisão veio logo depois de mais uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a possibilidade de prisão domiciliar para o banqueiro. Na avaliação dos procuradores, não existem motivos suficientes para substituir a prisão preventiva por uma medida mais branda. Além disso, a PGR também entendeu que caberia ao Supremo decidir sobre qualquer alteração relacionada ao local onde Vorcaro permaneceria preso.

O caso chamou ainda mais atenção porque ocorreu praticamente ao mesmo tempo em que uma nova proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro foi rejeitada. Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República analisaram o conteúdo e concluíram que ele não oferecia informações relevantes o bastante para impulsionar as investigações.

No despacho, André Mendonça foi direto ao negar o pedido da defesa. Segundo o ministro, não há elementos que justifiquem a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar neste momento. Com isso, a determinação foi pela manutenção da custódia e pela transferência imediata para a Papudinha.

Na decisão, o magistrado destacou que a movimentação deve ocorrer com todas as medidas de segurança necessárias, tanto para garantir a integridade física do investigado quanto para assegurar que o procedimento seja realizado sem intercorrências. A transferência deverá ser feita pelo meio considerado mais adequado pelas autoridades responsáveis.

Outro ponto que pesou contra Vorcaro foi justamente a avaliação feita sobre sua proposta de colaboração. Nos bastidores da investigação, integrantes da Polícia Federal chegaram a classificar o material apresentado como uma espécie de “delação elitista”. A expressão foi utilizada para indicar que as informações entregues seriam limitadas e bastante seletivas.

De acordo com investigadores, boa parte do conteúdo já era conhecida pelas autoridades ou continha apenas referências parciais a fatos que estavam sob apuração. Em outras palavras, a colaboração não teria trazido elementos realmente novos capazes de alterar os rumos do inquérito ou abrir novas frentes de investigação.

A análise da Procuradoria-Geral da República caminhou na mesma direção. Para os procuradores, o material não apresentou fatos inéditos nem informações concretas que justificassem benefícios ao investigado. Fontes ligadas ao caso afirmam que, em diversos trechos, Daniel Vorcaro teria utilizado expressões como “ouvi dizer” ao relatar determinadas situações.

Esse detalhe acabou chamando atenção dos investigadores. Na prática, segundo pessoas que acompanham o caso, faltariam dados objetivos, documentos ou mesmo detalhes financeiros que permitissem comprovar as declarações feitas pelo banqueiro. Outro ponto observado foi a ausência de informações mais precisas sobre valores e possíveis movimentações investigadas.

Com a negativa da delação e também do pedido de prisão domiciliar, o cenário jurídico de Vorcaro se torna ainda mais complicado. As investigações continuam em andamento e as autoridades seguem analisando os elementos já reunidos pela Operação Compliance Zero. Enquanto isso, a expectativa é que a transferência determinada pelo STF seja concluída nos próximos dias, marcando mais uma etapa importante de um caso que continua repercutindo nos bastidores políticos e financeiros de Brasília.



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