Presa por morte em rope jump, mulher chama tragédia de “fatalidade” e gera revolta

Evelyne dos Santos Gonçalves, presa por suspeita de envolvimento na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida no último dia 13 de junho durante um salto de rope jump sem cordas no interior de São Paulo, prestou depoimento à polícia e comentou detalhes do caso. Em sua fala, ela descreveu o episódio como uma “fatalidade” e afirmou que ficou em choque no momento do acidente.

A jovem morreu após realizar o salto na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), um local conhecido entre praticantes de esportes radicais, mas que atualmente está interditado pelas autoridades e apresenta estrutura abandonada há anos.

Evelyne, que trabalha na empresa Entre Cordas — responsável pela atividade — foi presa no sábado (20), junto com João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros. O trio é investigado por suspeita de envolvimento na tentativa de apagar registros nas redes sociais da empresa e também pelo desaparecimento da câmera utilizada por Maria Eduarda no momento do salto. O equipamento poderia ser uma peça importante para esclarecer o que de fato aconteceu.

Em depoimento, Evelyne afirmou que não percebeu nenhuma irregularidade antes do salto e disse que só entendeu a gravidade da situação quando ouviu a reação das pessoas no local. Segundo ela, tudo aconteceu muito rápido.

“Eu ouvi a plateia. Quando ouvi um ‘meu Deus’, eu levantei. Eu estava sentada preenchendo alguma coisa, recebendo alguém. Quando levantei, vi as meninas em choque. Aí eu também ouvi o barulho, ouvi o ‘meu Deus’ e o barulho”, relatou à polícia.

Ela também afirmou que os instrutores responsáveis pelo salto, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Maicon Fernandes Cintra, ficaram em estado de choque após o ocorrido. Segundo Evelyne, ambos possuem experiência em esportes radicais e não teriam agido de forma negligente de maneira intencional.

“Toda a expertise que eles têm de tantos anos nesses esportes, em várias equipes por onde já passaram, mostra que realmente foi uma fatalidade. Ninguém consegue entender o que aconteceu”, declarou. Ela reforçou ainda que, naquele momento, todos estavam confusos e sem explicações sobre o acidente.

Evelyne contou também que houve uma tentativa de atendimento imediato à vítima antes da chegada do resgate oficial. De acordo com ela, um dos instrutores, que também atua como bombeiro civil, realizou massagem cardíaca na jovem na tentativa de reanimá-la.

“O Felipe desceu, fez massagem cardíaca. Ele é bombeiro civil. A gente não fugiu, a gente ficou aqui esperando para ser julgado, para fazer o que for necessário”, afirmou. Ela disse ainda que o grupo permaneceu no local e colaborou com as autoridades desde o início.

Após o caso, a família de Maria Eduarda publicou uma carta aberta nas redes sociais, classificando o ocorrido como um “crime inaceitável” e cobrando justiça. A repercussão do caso gerou forte comoção e levantou discussões sobre segurança em atividades de risco, especialmente em estruturas improvisadas ou abandonadas.

As investigações seguem em andamento para esclarecer responsabilidades e determinar se houve falha humana, negligência ou irregularidade na condução do salto que resultou na morte da jovem.



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