Lula sobre tarifas: “Se negociação não der em nada, telefono para Trump”

Lula e Trump: Tensão nas Relações Brasil-EUA e o Impacto das Tarifas

Nessa quarta-feira, no dia 17, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou de uma conversa com jornalistas em Évian-les-Bains, na França. Isso ocorreu após uma série de compromissos relacionados ao G7, evento que reúne as principais economias do mundo. Durante essa conversa, Lula foi questionado sobre se havia discutido com o presidente americano, Donald Trump, as tarifas que os Estados Unidos impuseram ao Brasil.

A Insatisfação de Lula com as Tarifas

Em sua resposta, o presidente brasileiro deixou claro que não solicitou uma reunião bilateral com Trump. Segundo Lula, isso se deve ao fato de que já existe uma negociação em andamento entre os países. No entanto, ele não escondeu sua insatisfação com as medidas adotadas pelo governo americano, afirmando que Trump age como um “imperador”. “Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação”, afirmou Lula. “O que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo”, completou.

O Combate ao Crime Organizado

Além das tarifas, Lula também abordou outro tema importante durante a conversa: o combate ao crime organizado. Ele mencionou um documento que entregou a Trump durante sua visita a Washington no início de maio, que enfatizava a disposição da Polícia Federal brasileira em lidar com o crime organizado. “Eu entreguei para ele um documento do crime organizado para mostrar que a nossa Polícia Federal está preparada para enfrentar o crime organizado. Disse para ele se ele quiser combater o crime organizado, o Brasil está muito disposto”, destacou o presidente.

Materiais Apreendidos e Lavagem de Dinheiro

Ele ressaltou que “todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vem de Miami” e que “o estado de Delaware nos EUA faz lavagem de dinheiro de bandido brasileiro”. Essa afirmação levanta questões sobre a colaboração entre os dois países no combate ao crime organizado. “Entreguei por escrito, porque eu não quero só falar, porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco. Então, fiz questão de entregar para ele por escrito”, completou Lula, enfatizando a seriedade da situação.

Reflexões sobre Acordos Passados

Outro ponto interessante que Lula trouxe à tona foi um acordo que o Brasil firmou com o Irã em 2010. Ele acredita que, se Trump tivesse aceitado esse acordo, a situação no Irã poderia ser diferente hoje. “O acordo que nós fizemos com o Irã em 2010 entre Índia, entre Turquia e Brasil, que se ele estivesse aceito o nosso acordo, não precisaria ter matado o [aiatolá Ali] Khamenei, não precisaria ter bombardeado o Irã”, concluiu o presidente.

A Designação de Grupos Criminosos

Lula também expressou surpresa ao saber que o Departamento de Estado americano designou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como grupos terroristas. Ele explicou a Trump que essas facções são vistas como terroristas pelo povo brasileiro, mas que nos Estados Unidos a percepção é diferente. “O que eles querem é dinheiro”, afirmou, sugerindo que a motivação desses grupos é mais financeira do que ideológica.

Expectativas para o Futuro

Por fim, Lula declarou que, apesar das tensões atuais nas relações entre Brasil e EUA, ele ainda espera que as negociações continuem. “A hora que terminar a negociação, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump outra vez e marcar uma outra conversa”, disse. “Eu fico na expectativa de que nós ainda vamos negociar, apesar do rompante deles com relação ao Brasil”, concluiu o presidente brasileiro, demostrando uma postura diplomática.



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