A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) voltou a usar as redes sociais para criticar duramente o senador Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (10), após a divulgação de novos documentos envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em publicação feita na internet, a parlamentar afirmou que as novas informações colocam em xeque a versão apresentada por aliados do ex-presidente nos últimos meses. Segundo ela, a narrativa construída por apoiadores bolsonaristas estaria sendo desmontada pelas evidências reveladas recentemente.
“A narrativa vendida por aliados bolsonaristas está desmentida”, escreveu a deputada, em tom de ataque. A declaração veio logo depois da divulgação de uma reportagem do Intercept Brasil, que teve acesso a documentos apontando uma série de transferências milionárias ligadas ao projeto cinematográfico.
De acordo com os registros obtidos pelo veículo, cerca de US$ 10,6 milhões — algo em torno de R$ 61 milhões na cotação atual — foram enviados ao fundo responsável pela produção do longa entre os meses de fevereiro e maio de 2025. Os valores estariam ligados ao empresário Daniel Vorcaro, conhecido por controlar o Banco Master.
Ainda segundo os documentos, os recursos foram destinados ao Havengate Development Fund LP, um fundo sediado nos Estados Unidos e apontado como peça importante na estrutura financeira do filme. A revelação ganhou repercussão imediata nas redes sociais e também no meio político, aumentando o debate em torno do projeto.
Uma das provas citadas na reportagem é uma planilha identificada como Funding Schedule. O material detalha um cronograma de 14 parcelas previstas para abastecer o fundo. Parte desses pagamentos já teria sido executada, alcançando o valor total de US$ 10,6 milhões informado nos documentos.
O caso chama atenção porque, até então, setores ligados ao bolsonarismo vinham negando a existência de aportes financeiros desse porte para a produção. Com a divulgação dos registros, surgiram novos questionamentos sobre a origem dos recursos e sobre quem estaria realmente financiando a cinebiografia.
Maria do Rosário aproveitou a repercussão para cobrar explicações e levantar dúvidas sobre os interesses por trás do investimento. Para a parlamentar, o tema merece mais transparência e esclarecimentos públicos, principalmente devido aos valores envolvidos.
A petista também relacionou a situação ao cenário econômico enfrentado por boa parte da população brasileira. Em sua avaliação, enquanto muitas famílias ainda lidam com dificuldades financeiras, desemprego e aumento do custo de vida, milhões de reais estariam sendo movimentados em torno de um projeto voltado à imagem do ex-presidente.
As discussões sobre o filme já vinham acontecendo há alguns meses. Reportagens divulgadas anteriormente apontaram que Flávio Bolsonaro teria participado de conversas e articulações relacionadas ao financiamento da obra. O senador, por sua vez, nega irregularidades e seus aliados afirmam que o projeto segue dentro da legalidade.
Nas redes sociais, o assunto rapidamente se transformou em mais um capítulo da disputa política entre apoiadores e críticos de Jair Bolsonaro. Enquanto um lado vê as revelações como uma prova de contradições envolvendo o financiamento do filme, o outro acusa adversários políticos de tentarem desgastar a imagem do ex-presidente.
Com a divulgação dos novos documentos, a polêmica ganhou força e deve continuar rendendo debates nos próximos dias. Afinal, além do interesse político, o caso envolve cifras milionárias e personagens influentes do cenário nacional, ingredientes que costumam atrair atenção tanto da imprensa quanto da opinião pública.
Confira:
MAIS UMA BOMBA DO BOLSOMASTER
— Maria do Rosário (@mariadorosario) June 9, 2026
Transferências bancárias obtidas pelo Intercept Brasil comprovam: Vorcaro, do Banco Master, enviou milhões de dólares para o filme de Bolsonaro no ano passado.
A narrativa vendida por aliados bolsonaristas está desmentida! Quais são os interesses… pic.twitter.com/hgWc5sRudi