A morte do vereador João Luiz Pinheiro Francisco, de 45 anos, causou grande comoção em Guaraqueçaba, cidade localizada no litoral do Paraná. Filiado ao PSDB, ele exercia seu mandato na Câmara Municipal desde 2024 e era uma figura bastante conhecida entre os moradores da região. Depois de passar 39 dias internado em estado gravíssimo, João Luiz não resistiu aos ferimentos e faleceu na última quinta-feira, dia 5 de junho.
O parlamentar estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Londrina desde o fim de abril. Na ocasião, ele foi vítima de um ataque brutal que chocou a população local. Segundo as investigações, um homem despejou combustível sobre seu corpo e, em seguida, ateou fogo. As queimaduras atingiram aproximadamente 75% da superfície corporal, tornando o quadro clínico extremamente delicado desde os primeiros momentos.
Além da atuação política, João Luiz também era empresário e mantinha um estabelecimento comercial na Ilha das Peças. Foi justamente em frente ao seu comércio que tudo aconteceu. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento em que o suspeito se aproxima da vítima, lança o líquido inflamável e provoca o incêndio. As cenas são fortes e rapidamente repercutiram entre moradores da região.
Nos vídeos, também é possível observar duas pessoas que estavam próximas correndo para tentar ajudar o vereador logo após o ataque. O socorro foi acionado rapidamente, mas a gravidade dos ferimentos exigiu uma longa batalha pela vida. Durante mais de um mês, familiares, amigos e moradores acompanharam com expectativa cada atualização sobre seu estado de saúde.
Com a confirmação da morte, o caso deve ganhar um novo rumo nas investigações. Até então, o suspeito respondia por tentativa de homicídio qualificado. A Polícia Civil do Paraná havia apontado agravantes como motivo torpe, emprego de meio cruel e utilização de recurso que dificultou qualquer possibilidade de defesa da vítima. Agora, a tipificação do crime poderá ser alterada pelas autoridades responsáveis pelo caso.
O velório de João Luiz está marcado para este sábado, dia 7 de junho, a partir das 11 horas, no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, em Paranaguá. O sepultamento deverá ocorrer às 17 horas. A expectativa é que familiares, amigos, lideranças políticas e moradores compareçam para prestar as últimas homenagens.
O crime aconteceu em 26 de abril e, desde o início, chamou atenção pela violência. De acordo com a Polícia Civil, a ação foi planejada pelo autor, um homem de 49 anos. Ele acabou sendo preso em flagrante pela Polícia Militar pouco tempo depois do ocorrido.
Inicialmente, o investigado alegou que teria cometido o ataque por causa de um suposto episódio envolvendo sua filha e a vítima. Porém, essa versão acabou sendo descartada após o avanço das investigações. Os policiais concluíram que os fatos apresentados pelo suspeito não encontravam respaldo nas provas coletadas ao longo do inquérito.
A linha investigativa que ganhou força aponta para uma disputa relacionada ao uso de uma embarcação na Ilha das Peças. Segundo a polícia, o barco era deixado de forma irregular na faixa de areia da comunidade, situação que vinha gerando reclamações frequentes entre moradores. João Luiz teria participado de tentativas para mediar o conflito, buscando uma solução para o problema.
Testemunhas ouvidas durante a investigação afirmaram que o suspeito demonstrava insatisfação com o vereador há algum tempo. Relatos apontam ainda que, no dia do ataque, ele foi visto circulando repetidamente nas proximidades do comércio da vítima antes de colocar o plano em prática.
A morte de João Luiz encerra uma luta de mais de um mês pela sobrevivência, mas também deixa muitas perguntas e um sentimento de tristeza entre aqueles que acompanhavam sua trajetória política e empresarial. O caso continua sendo investigado pelas autoridades paranaenses.