Ação contra Moraes nos EUA sofre virada após decisão surpreendente de Fachin

A disputa envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e empresas de tecnologia dos Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta semana. O presidente da Corte, o ministro Edson Fachin, concordou com a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) na defesa do Estado brasileiro em processos que tramitam na Justiça norte-americana contra o ministro Alexandre de Moraes.

Na prática, a decisão abre caminho para que a AGU participe oficialmente das ações movidas pelas empresas Rumble e Trump Media & Technology Group. As duas companhias questionam decisões tomadas por Moraes e alegam que algumas determinações expedidas pelo magistrado brasileiro teriam ultrapassado limites previstos na legislação americana.

O caso tem chamado atenção não apenas no Brasil, mas também no exterior. Isso porque envolve temas delicados como liberdade de expressão, soberania nacional e os limites da atuação de autoridades de diferentes países sobre plataformas digitais.

A ação foi apresentada nos Estados Unidos ao longo de 2025. As empresas pedem que sejam anuladas ordens de bloqueio e restrições determinadas por Alexandre de Moraes. Segundo os autores do processo, as medidas representariam uma forma de censura e atingiriam princípios ligados à liberdade de manifestação.

A Rumble, conhecida por ser uma plataforma de compartilhamento de vídeos semelhante ao YouTube, já esteve no centro de outras controvérsias envolvendo decisões judiciais brasileiras. Em ocasiões anteriores, o STF determinou a retirada de conteúdos específicos da plataforma. No entanto, segundo registros do caso, algumas dessas ordens não foram cumpridas.

Entre os principais argumentos apresentados pelas empresas está uma determinação relacionada ao jornalista Allan dos Santos. Os advogados sustentam que Moraes teria violado regras americanas ao ordenar a suspensão da conta do comunicador na plataforma.

Já a Trump Media afirma que também foi afetada pelas decisões. Isso porque a empresa depende de serviços fornecidos pela Rumble para manter parte da estrutura da rede social Truth Social. A plataforma é amplamente associada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que utiliza o serviço como um de seus principais canais de comunicação.

Em documento enviado ao STF no início de junho, o advogado-geral da União substituto, Flavio Roman, colocou a estrutura da AGU à disposição para atuar na defesa institucional do Brasil perante a Justiça americana. O objetivo seria proteger os interesses do Estado brasileiro e sustentar argumentos jurídicos relacionados à imunidade de jurisdição, à soberania nacional e à validade dos atos praticados pelo Poder Judiciário brasileiro.

Na resposta encaminhada à AGU, Fachin destacou que as ações apresentadas nos Estados Unidos não questionam apenas um ministro de forma individual. Segundo ele, o que está em debate envolve decisões tomadas dentro do exercício regular da função jurisdicional e que já foram analisadas e confirmadas pelos órgãos competentes do Supremo.

O magistrado ressaltou ainda que a discussão possui um alcance mais amplo. Na avaliação dele, o caso toca diretamente em questões relacionadas à independência do Judiciário brasileiro, ao funcionamento do Estado Democrático de Direito e à própria soberania nacional.

A manifestação do presidente do STF demonstra que a Corte acompanha o caso com atenção. Além disso, reforça o entendimento de que a atuação da Advocacia-Geral da União pode ser importante para defender institucionalmente o Brasil diante das ações que seguem em andamento nos tribunais norte-americanos.

Com o avanço do processo, a expectativa é que os próximos meses tragam novos desdobramentos. O embate jurídico, que mistura política, tecnologia e relações internacionais, promete continuar sendo acompanhado de perto tanto por autoridades brasileiras quanto por observadores do cenário global.



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